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  • abcQueria escrever esse post há algum tempo, mas só agora conseguir achar números que embasam a minha perspectiva de que os meios de comunicação estão tratando a epidemia do H1N1 de uma forma não verdadeira e sensacionalista.

    Fiquei intrigado quando vi na TV, jornais afirmarem que o Brasil era o país com o maior número de óbitos por consequência da Gripe A. No momento, perplexo, não entendi a situação pois o Brasil não havia sido um dos países em que a epidemia havia alastrado-se ferozmente, caso da Argentina ou dos Estados Unidos, por exemplo. Percebi no momento que havia algo de sensacionalista no ar e logo fiquei revoltado com a situação.

    Mais tarde, já no início de agosto, mais precisamente no dia  11, o Ministro da Saúde José Temporão foi à Câmara de Deputados realizar esclarecimentos sobre a epidemia do H1N1 no Brasil e apresentou números interessantes. Mostrou para os ilustres deputados que a taxa de mortalidade no Brasil era de 0,09 por 100mil habitantes, taxa menor do que a americana de 0,14 por 100 mil habitantes. (Fonte: Revista RADIS  Setembro 2009)

    Ora. É evidente que por mais falhas que o sistema de saúde público brasileiro apresente (e eu sou um dos críticos), nosso modelo é muito superior a de países com sistemas de saúde desorganizados e pouco acessíveis às camadas mais pobres da população. Claro e evidente que as ações de controle da epidemia do H1N1 seriam dadas com a seriedade que a situação exige em nosso país.

    Agora, o que não é correto e desleal para com o povo brasileiro são os meios de comunicação em geral, até de forma irresponsável, veicular notícias, números e informações epidemiológicas sobre o H1N1 no Brasil sem estabelecer os parâmetros necessários para a devida análise, jogando com a falta de informação e compreensão do povo brasileiro.

    Foram criados e divulgados inclusive rankings de óbitos entre os países, desconsiderando-se as diferenças populacionais, analisando os números de forma fria e bruta. Dessa forma, o Brasil assumia lugar de destaque como campeão mundial em números de óbitos pelo H1N1.

    Ora, não dá para comparar uma formiga com um elefante. Dizer que morreram 100 pessoas na Venezuela é muito mais impactante do que se morrerem os mesmos 100 no Brasil. É preciso considerar epidemiologicamente as dimensões dos dois países e principalmente a estúpida diferença populacional. Análises e comparações desse tipo são enviesadas e expõem o real objetivo de quem as divulga: causar tumulto e gerar notícia.

    É preciso ter seriedade na divulgação das informações e antes de tudo observar que conseqüências acarretarão no cenário em que serão veiculadas. Não se deve inclusive jogar com a falta de conhecimento da população em geral, ademais, as pessoas não são obrigadas a deter todo tipo de conhecimento.

    Sei que temos os meios de comunicação de credibilidade no mercado, assim como temos os ruins e sensacionalistas. É preciso saber separar o joio do trigo e filtrar aquilo que realmente vale na informação, desvinculado do interesse e objetivos de quem as divulgam.

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  • alz_

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  • Mais uma vez minhas previsões sobre o domínio do mundo pela Google estão se concretizando! Já vinha discutindo isso com alguns colegas e falava que a área de saúde ainda era um “mercado” não especulado pela Google.

    Pois bem, não era mais. Duas novas vertentes estão causando dor de cabeça na área médica e sendo motivos de polêmicas e discussões: o lançamento do Google Health (aqui e aqui) e o surgimento do “paciente expert” (aqui) e do cybercondríaco.

    Vislumbrando que a área de saúde tem um grande potencial para crescimento, a Google lançou um blog e passou bom tempo coletando informações de saúde dos usuários, o que mais procuravam na rede e como manipulavam as informações obtidas. Isso permitiu a empresa perceber a necessidade de se aglutinar as informações de saúde das pessoas num lugar de fácil acesso e evitar inclusive que o histórico de saúde de cada uma fosse perdido com o decorrer dos anos.

    A plataforma do Google Healht (ainda sem versão para o português) permite que os usuários com login Google cadastrem e lancem as informações do seu histórico, descrevam seu perfil de saúde, importem recordações e históricos médicos de outros serviços ligados à rede e, além de oportunizar a busca por serviços e clínicas disponíveis, traz ainda a possibilidade de encontrar profissionais que, por ventura, poderão realizar orientações e “intervenções” de saúde, com base nas informações disponibilizadas na plataforma.

    Essa ferramenta da Google aumenta ainda mais a angústia de profissionais de saúde comprometidos. Tem sido cada vez mais comum pessoas leigas na área e pacientes realizarem procedimentos ou automedicação baseados puramente em pesquisas realizadas na rede. Pessoas com esse tipo de atitude tem sido chamadas de “paciente expert” ou “cybercondríacos”, que dispensam o atendimento e acompanhamento de profissionais qualificados e dão “credibilidade” a orientações retiradas de mecanismos de pesquisa, por vezes de conteúdo de carater duvidoso ou sem algum embasamento técnico-científico.

    Esse é um bom exemplo de que nem sempre inserção de tecnologias na área de saúde agregam valor ou promovem o crescimento. Percebam ainda que essa preocupação surge exatamente num momento de fragilidade da relação médico – paciente e que tem sido também alvo de discussões, o que não colabora em nada para o resgate da credibilidade e confiança dessa relação.

    Imaginem então a situação: o sujeito acha que está com algum problema de saúde e no Google Health encontra o “seu doutor” que prescreve alguns exercícios e medicamentos do qual esse sujeito faz uso de forma incondicional. Dias mais tarde, esse mesmo sujeito é alvo de uma importante reação anafilática que o leva ao serviço de emergência e horas mais tarde, esse mesmo paciente vai a óbito. Tudo isso porque no seu histórico de saúde, que é alimentando indivualmente, não costava a informação que “o sujeito” era alérgico exatamente ao medicamento que fora prescrito pelo “seu doutor”.

    Cenas como essa e outras (usem a imaginação) poderão ocorrer com freqüência se essa prática não for controlada e monitorada.

    Creio que ninguém é contra a utilização de tecnologias como essa, pois são importantes incrementos para a evolução das práticas na área de saúde. O que preocupa é a visão e o direcionamento que essas ferramentas tomam, pois são sempre utilizadas para atender a fins específicos sem observar as conseqüências que podem acarretar na população em geral.

    Já ouvi relatos de pessoas amigas que é muito mais fácil e simples procurar por orientações do “Dr. Google” quando existe tanta dificuldade em acessar serviços, especialmente os de saúde pública. Ademais, outros ainda argumentam que as consultas com os profissionais tem sido cada vez mais curtas e frias, sem a sensibilidade e a atenção necessárias por parte dos profisisonais, para garantir boa adesão ao tratamento e orientações dispensadas.

    É importante perceber que alternativas como o Google Health / Dr. Google só ganham espaço especulando as fragilidades existentes no sistema quanto a acessibilidade a serviços e insumos e pela baixa credibilidade dada pela população aos profissionais e a serviços puramente técnicos sem nenhuma estratégia de acolhimento.

    Faço esse relato por fim para que o foco não seja perdido. Não adianta tentar lutar contra as tecnologias, elas virão. É necessário resgatar valores, dinfundí-los nas comunidades e os tornar fortes, sólidos. Por enquanto, tecnologia alguma substitui a sensibilidade de ter diretamente com o profissional de saúde.

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