Analisando o post abaixo temos revelações interessantes nas entrelinhas.
Podemos observar que mesmo de forma rudimentar, já eram realizadas atividades de saúde baseadas em pensamentos coletivos e epidemiológicos. Vejam que a estratégia adotada em 1798, de compor uma equipe de “profissionais” para tentar sanar os problemas de saúde, ainda que fosse por conta da chegada da família real ao Brasil, pode configurar a primeira grande atividade de saúde planejada do Brasil e que abrangeu a coletividade da colônia. Sem contar que essa prática fora norteada com base em dados catalogados num período de 2 anos, muito semelhante às perspectivas atuais de uso da epidemiologia para direcionamento e planejamento das intervenções de saúde.
O livro ainda nos revela que naquela época o tema saúde não era vista como algo a parte do crescimento da colônia. Esse era um tema tratado com enorme sensibilidade pelos nobres da época, pois compreendiam que condições de saúde favoráveis, especialmente da vassalagem e dos escravos, significavam maior produção nos seus engenhos e práticas comerciais. Eis que essa passagem denota que já de priscas eras a saúde era tratada com fortes vínculos comerciais, sempre analisada à luz do mercado.
Intriga saber se em algum momento da nossa história o tema saúde fora tratado com bases em pensamentos puramente coletivos, de manutenção de boas condições de saúde da população e da elevação da qualidade de vida dos povos. São as tristes heranças que mantiveram-se ao longo dos tempos.
Agora, com certeza, a melhor de todas constatações é notar como a evolução da ciência médica e incorporação de novos saberes permitiram a espantosa modificação das práticas de saúde. Caso contrário, ainda hoje poderíamos estar utilizando uma “lixa de lagarto”, “olhos de caranguejos brutos” ou “raspas de ponta de veado” para realizar tratamentos e curar enfermidades.
É inegável que mesmo sendo o Brasil uma colônia extrativista, muito do desenvolvimento do país, especialmente os primeiros passos da organização do sistema e da formação dos profissionais de saúde, devemos à importação dos costumes e práticas vindas com a invasão estrangeira de nossas terras.
Um brinde à evolução dos tempos! O resto dos comentários ficam por conta de vocês.
Concluída a leitura do livro 1808 de Laurentino Gomes, segue mais um post com a passagem mais interessante do livro em que retrata a saúde do Brasil Colônia da época, especialmente a caracterização do cenário sanitário da cidade do Rio de Janeiro, então capital da colônia, por onde tudo começou. Veja abaixo a transcrição da passagem do livro
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