Há alguns meses foi divulgado o relatório de pesquisa realizada sobre o cigarro no Brasil, promovida e executada pelo IBGE, Ministério da Saúde e INCA – Instituto Nacional do Câncer.
Números bastante interessantes foram divulgados e apontam para transformações no cenário nacional quanto ao uso do tabaco. A mais importante delas, na minha ótica, é o número ex-fumantes já ser superior ao de fumantes. Seria esse um indicativo de que o “careta” está ficando careta? É cada vez menor o número de pessoas que se arvoram a fumar, a experimentar que seja, e com isso diminui-se o número de novos fumantes no país.
São hoje cerca de 24 milhões de pessoas que fazem uso de tabaco, de forma geral, não apenas o cigarro convencional. E vale considerar que a pesquisa levou em consideração outras formas de consumo que não apenas o cigarro industrializado, tais como: o cigarro de Bali, o de palha, o cachimbo, narguilé, charuto, cigarrilha e o tabaco não fumado, como o rapé e o fumo de mascar.
Percepções
A intolerância ao cigarro é cada vez maior e tem sido motivos de verdadeiras guerras, haja a vista o recente embate travado pelo governo de São Paulo com a lei antifumo e que está sendo adotado e copiado por outros lugares, por outros Estados e municípios. A fumaça do tabaco causa repulsa a maioria dos brasileiros. Ela é sentida a grandes distâncias mesmo por olfatos pouco apurados e que já não aceitam mais conviver com esse mal. Até a convivência com amigos fumantes tem sido difícil e vale lembrar que a fumaça inalada pelos ditos “fumantes passivos” é tão danosa quanto para quem fuma.
O governo brasileiro tem forte contribuição na mudança desse cenário com a implementação de políticas públicas para controle e redução do uso de tabaco, ainda que o tenha feito tardiamente se comparado a outros países. Mas, hoje já não passam mais propagandas mirabolantes no rádio ou TV, associando o cigarro a prazeres da vida. Mais impacto ainda causaram as fortes imagem nos rótulos e embalagens dos mesmos.
Lembro que na época, várias pessoas começaram a brincar com isso. Iam comprar um cigarro, olhavam o rótulo e pediam para trocar por outro que não causasse câncer e principalmente impotência sexual, conforme viam nas embalagens. Mas o verdadeiro fato é que aquilo chocava e proporcionava reflexões quanto a manutenção do seu vício.
Outro detalhe mais do que batido é o quanto se economiza largando o vício. Num cálculo rápido, para aqueles que fumam uma carteira de cigarros por dia, gastarão no mês cerca de R$ 120,00 apenas com cigarro. Isso dá para comprar uma cesta básica e sustentar uma família. Dessa forma, sustentam e fazem girar a grande roda capitalista da indústria do tabaco.
Alguns números
A pesquisa identificou alguns números que merecem ser considerados:
- São 24 milhões de fumantes no Brasil, o que representa cerca de 17% da população brasileira
- 90% dos fumantes o fazem diariamente (21,5 milhões) – são poucos os fumentes ocasionais
- Geralmente começam na adolescência. A maioria começou a fumar entre 17 e 19 anos e a pesquisa indica que há forte relação entre baixos níveis de escolaridade e o uso do tabaco
- 52,1% dos fumantes pensam em parar, mas apenas 7% deles tem o desejo de abandonar o consumo no curto prazo
- O gasto médio mensal com cigarros gira em torno de 80 reais
- 93% reconhecem os riscos de doenças graves relacionadas ao tabagismo
- 65% dos fumantes dizem ter refletido sobre para de fumar em decorrência das advertências nos rótulos dos cigarros
- O número de homens que fumam é maior que o de mulheres: cerca de 15 milhões de homens contra quase 10 milhões de mulheres.
- Apesar da região sul concentrar o maior número de fumantes do país, o Nordeste tem o maior percentual de homens fumantes.
- O local de maior exposição ao tabaco e a fumaça do cigarro é dentro da própria casa em 28% dos casos.
Veja mais em:
- Blog da Alergia
- Dráuzio Varella
- Porta G1 Ciência e Saúde: aqui, aqui, aqui e aqui

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