Resolvi agora que vou postar os debates do dia-a-dia por aqui.
Estava conversando com um amigo, revoltadíssimo. Vejam a cena. Ele apresentava sérios problemas de mobilidade dos membros superiores e dores insuportáveis na coluna, mais especificamente na cervical. O desconforto já irradiava pelos seus membros e começava a afetar a parte respiratória, alterando o ritmo das suas incursões.
Procurou um neurologista com urgência para realizar seu acompanhamento. Eis que no consultório, ele solta a pérola: havia sofrido uma queda importante há alguns dias, sendo a cervical uma das áreas mais comprometidas e traumatizadas nesse evento.
Seu médico, então, passou a suspeitar de uma possível herniação na área com compressão medular que poderia estar causando os referidos sintomas. Para confirmação diagnóstica, veio então o pedido: RESSONÂNCIA MAGNÉTICA.
O amigo, que não possuia a “comodidade” de um plano de saúde, contava apenas com o PlanSUS, teve que peregrinar para conseguir vaga e autorização para realização do exame. Sua angústia aumentava, o tempo passada, nada conseguia. Seus sintomas pioravam, ele somatizava e já passava a apresentar outros sinais, muito mais em decorrência do anseio da espera que propriamente vinculado ou relacionado com a possível área lesada.
Apelou, então. Teve que tomar alguns empréstimos e fazer um levantamento financeiro que fosse suficiente para pagar os R$ 1200,00 (sim, você leu hum mil e duzentos reais) que lhe desse a “oportunidade” de realizar seu exame de forma rápida e eficiente. Já sofrido pelo débito então contraído, teve ainda de suportar permanecer imóvel por mais de 50 minutos num aparelho que “só fazia zuada em seus ouvidos” (ipsis litteris).
Ávido pelo retorno ao seu médico, passou a pensar sobre as mais variadas hipóteses patológicas que poderiam estar o acometendo naquele momento ou das quais fosse um candidato em eleição. Abriu seu exame, via, via, lia, lia, mas nada entendia. Foi para internet aumentar ainda mais sua tensão. Dr. Google dizia coisas que iam desde uma correção cirúrgica até a possiblidade de paraplegia e óbito.
Ele era um poço de estresse. E seus sintomas pioravam, outros até surgiam. E não conseguia entender a relação que havia entre eles.
Consulta marcada, ele aparece uma hora antes do horário previsto. E, como vocês pensam que apenas médicos do SUS se atrasam, nesse consultório particular, teve que esperar por três horas e meia para enfim ser chegado seu o momento. Seu médico pegou logo seu exame, observava aquela tela preta no negatoscópio que nada lhe dizia e ficava ainda mais angustiado enquanto seu médico lia o laudo do perito e balançava a cabeça fazendo “umrum, umrum”.
Chegado o clímax, eis o diálogo então travado:
- Seu médico: tenho uma notícia boa e outra ruim. Qual você quer primeiro?
- O paciente: a ruim, lógico!
- Seu médico: seus exames indicam que você passa por um período de estresse tremendo.
- O paciente: (com cara “de que grande novidade”) eu sei doutor, eu sei!
- Seu médico: mas a notícia boa é que seu exame não deu nada!
- O paciente: Não deu nada?????? (espanto)
- Seu médico: sim, não deu nada! Não há nenhuma lesão de cervical, seus sintomas são puramente de cansaço e estresse
- O paciente: QUE DROGA!
- Seu médico: (surpreso) não gostou da notícia?
- O paciente: Doutor, você sabe quanto custou esse exame? Você faz idéia do que eu passei para esse exame não dar nada!!!

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