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Profissionalismo? Só quando convém.

Fala-se muito em profissionalismo, perfis adequados para cada área de atuação e necessidade de garantir direitos aos trabalhadores para que o exercício profissional seja realizado satisfatoriamente. Discute-se sobre a (ir)responsabilidade de patrões e gestores relacionada ao subdimensionamento de equipes e à escassez de recursos em diversos aspectos, elementos que certamente prejudicam o alcance dos resultados esperados, e por vezes exigidos.

Diante das cobranças que variam de níveis toleráveis ao assédio moral, trabalhadores pontuam todas as dificuldades encontradas no cotidiano do emprego para explicar o desempenho alcançado, alegando quase sempre esforço máximo compatível com o pleno profissionalismo que possuem. Há também a sinalização de que parte do que se pede não condiz com as atribuições deste ou daquele profissional, conforme as leis específicas.

Por outro lado, os chefes ou os donos dos meios de produção transferem até a parcela da responsabilidade que lhes cabe para os profissionais “da ponta” ou para a população em geral.

Não é difícil encontrar prefeitos colocando a responsabilidade pelos altos índices de infestação do Aedes aegypti inteiramente na população, enquanto mantêm equipes de saúde incompletas ou sem materiais de trabalho, por exemplo.

Essa “queda de braços” existe também no campo da Saúde e atinge ponto crítico quando em algum momento são realizados investimentos em estrutura física e aquisição de equipamentos, antes tidos como raízes dos problemas pelos trabalhadores; Quando são tomadas medidas que garantem os direitos previstos em lei e a revisão daquilo que cada categoria profissional deve apresentar como produto do seu trabalho.

Se o gestor conseguir, de forma planejada e cuidadosa, resolver aquilo que lhe cabe, atendendo cada ponto de reivindicação justa e respaldada legalmente, naturalmente terá que agir junto às suas equipes, exigindo que cada trabalhador cumpra aquilo que é necessário. Ser gestor não significa apenas desenvolver estratégias para a oferta de direitos: É também assumir a responsabilidade pelo cumprimento dos deveres, principalmente daqueles que estão sob sua orientação.

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Não é concebível, no Sistema Único de Saúde, admitir a escassez de alguns serviços em unidades em que há profissionais devidamente habilitados, apenas porque eles alegam não gostar deste ou daquele procedimento. É um desrespeito ao cidadão brasileiro privá-lo de determinado atendimento e encaminhá-lo para outro ponto de atenção à Saúde, mais distante, havendo insumos suficientes, estrutura satisfatória e profissional com conhecimento técnico, atestado por diplomas, certificados e declarações.

Se tais credenciais são tão úteis nas mesas de negociação por melhores salários, por que são relativamente esquecidas no dia-a-dia, gerando o tal “Sei fazer, devo fazer, mas não quero fazer”? Onde está o tão aclamado profissionalismo quando se escolhe transferir por simples capricho alguém que precisa (e deve) ter seu problema resolvido ali mesmo?

Em tempos de Conferências de Saúde, fico a refletir: Se os gestores da Saúde resolverem executar o que lhes compete, inclusive monitorar melhor o que os profissionais fazem (e deixam de fazer), o que acontecerá com o nosso SUS?

2 thoughts on “Profissionalismo? Só quando convém.”

  1. Absurdo ok vem acontecendo com O SUS. em especial com saúde da família. dados monstra o quanto a saúde melhorou com a prevenção e promoção da saúde.

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