“O número de mortes provocadas pela dengue no país aumentou 89,7% neste ano (no período entre janeiro e 16 de outubro) em relação a todo o ano passado, segundo dados divulgados nesta quinta (11) pelo Ministério da Saúde.” http://migre.me/29z28

Notícias como esta nos preocupam e despertam dúvidas quanto às estratégias adotadas no combate a esta doença que atinge milhares de pessoas a cada ano. Sabemos que este é um problema complexo, multicausal, que envolve desde o tempo até as condições de saneamento básico da população. Porém, acredito que há um elemento fundamental nesta jornada que, infelizmente, não é praticado por muitos cidadãos: o autocuidado.
A Enfermeira Dorothea Elizabeth Orem em 1980 já discutia o autocuidado como uma “prática de atividades que o indivíduo inicia e executa em seu próprio benefício, na manutenção da vida, da saúde e do bem estar”. O que temos trinta anos depois? Televisão, rádio, internet… Pessoas sobrecarregadas de informações mas incapazes de mudar seus comportamentos e atitudes do cotidiano.
Fumamos, ingerimos bebidas alcoólicas, somos imprudentes no trânsito, nossa alimentação está longe de ser considerada adequada, não lavamos as mãos, criamos mosquitos em nossas casas… isso tudo por falta de conhecimento? Ignoramos os perigos destas práticas? Certamente não.
“Chegara mesmo ao ponto de pensar que a escuridão em que os cegos viviam não era, afinal, senão a simples ausência da luz, que o que chamamos cegueira era algo que se limitava a cobrir a aparência dos seres e das coisas, deixando-os intactos por trás do seu véu negro. Agora, pelo contrário, ei-lo que se encontrava mergulhado numa brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só as cores, mas as próprias coisas e seres, tomando-os, por essa maneira, duplamente invisíveis.”
(Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago)
Proponho hoje uma reflexão rápida: o que fazemos com as informações que temos? Por que elas não são convertidas em conhecimento de verdade capaz de fazer com que as pessoas se cuidem melhor? Com a palavra, os leitores.
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