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	<title>PENSO &#187; Brasil</title>
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	<description>Discutindo saúde</description>
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		<title>Comentários: Evolução da saúde brasileira na época do Brasil Colônia II</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 18:34:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Alves</dc:creator>
				<category><![CDATA[história da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[saúde coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[1808]]></category>
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		<category><![CDATA[Brasil Colônia]]></category>
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		<category><![CDATA[medicina]]></category>

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		<description><![CDATA[Comentários sobre o post Evolução da saúde brasileira na época do Brasil Colônia II que trata da história da saúde do Brasil segundo o livro 1808 de Laurentino Gomes]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-212" title="1808" src="http://www.pensosaude.com.br/wp-content/uploads/2009/10/18082-150x150.jpg" alt="1808" width="90" height="90" />Analisando o post abaixo temos revelações interessantes nas entrelinhas.</p>
<p>Podemos observar que mesmo de forma rudimentar, já eram realizadas atividades de saúde baseadas em pensamentos coletivos e epidemiológicos. Vejam que a estratégia adotada em 1798, de compor uma equipe de “profissionais” para tentar sanar os problemas de saúde, ainda que fosse por conta da chegada da família real ao Brasil, pode configurar a primeira grande atividade de saúde planejada do Brasil e que abrangeu a coletividade da colônia. Sem contar que essa prática fora norteada com base em dados catalogados num período de 2 anos, muito semelhante às perspectivas atuais de uso da epidemiologia para direcionamento e planejamento das intervenções de saúde.</p>
<p>O livro ainda nos revela que naquela época o tema saúde não era vista como algo a parte do crescimento da colônia. Esse era um tema tratado com enorme sensibilidade pelos nobres da época, pois compreendiam que condições de saúde favoráveis, especialmente da vassalagem e dos escravos, significavam maior produção nos seus engenhos e práticas comerciais. Eis que essa passagem denota que já de priscas eras a saúde era tratada com fortes vínculos comerciais, sempre analisada à luz do mercado.</p>
<p>Intriga saber se em algum momento da nossa história o tema saúde fora tratado com bases em pensamentos puramente coletivos, de manutenção de boas condições de saúde da população e da elevação da qualidade de vida dos povos. São as tristes heranças que mantiveram-se ao longo dos tempos.</p>
<p>Agora, com certeza, a melhor de todas constatações é notar como a evolução da ciência médica e incorporação de novos saberes permitiram a espantosa modificação das práticas de saúde. Caso contrário, ainda hoje poderíamos estar utilizando uma “lixa de lagarto”, “olhos de caranguejos brutos” ou “raspas de ponta de veado” para realizar tratamentos e curar enfermidades.</p>
<p>É inegável que mesmo sendo o Brasil uma colônia extrativista, muito do desenvolvimento do país, especialmente os primeiros passos da organização do sistema e da formação dos profissionais de saúde, devemos à importação dos costumes e práticas vindas com a invasão estrangeira de nossas terras.</p>
<p>Um brinde à evolução dos tempos! O resto dos comentários ficam por conta de vocês.</p>
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		<title>A evolução da saúde brasileira na época do Brasil Colônia II</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 08:20:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Alves</dc:creator>
				<category><![CDATA[história da saúde]]></category>
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		<category><![CDATA[Brasil Colônia]]></category>

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		<description><![CDATA[Passagens sobre a história da saúde do Brasil no livro 1808 de Laurentino Gomes]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-207" title="1808" src="http://www.pensosaude.com.br/wp-content/uploads/2009/10/18081-150x150.jpg" alt="1808" width="90" height="90" />Concluída a leitura do livro 1808 de Laurentino Gomes, segue mais um post com a passagem mais interessante do livro em que retrata a saúde do Brasil Colônia da época, especialmente a caracterização do cenário sanitário da cidade do Rio de Janeiro, então capital da colônia, por onde tudo começou. Veja abaixo a transcrição da passagem do livro</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">Cap. 12 – O Rio de Janeiro – p. 164-166</span></strong></p>
<p>[...] O calor associado à falta de higiene gerava problemas colossais na área de saúde. “O povo é muito sujeito a febres, a acessos de bile, ao que chamam de doença do fígado, à disenteria, à elefantíase e outras perturbações [...] que às vezes são violentas e fatais”, diagnosticou o inglês Luccock. “Também a varíola, quando surge carrega multidões, mas ultimamente seus estragos foram coibidos pela prática de vacinação.”<sup>28</sup> Em 1798, dez anos antes da chegada da corte, a Câmara do Rio de Janeiro havia proposto a um grupo de médicos um programa para combater as epidemias e erradicar moléstias endêmicas da cidade. O plano incluía um levantamento dessas doenças. A relação, feita pelo médico da Armada, Bernardino Antônio Gomes, é espantosa: “Segundo a observação de quase dois anos, que conto de residência no Rio de Janeiro, tenho por moléstias endêmicas desta cidade, sarnas, erisipelas, empigens, boubas, morphéa, elefantíase, formigueiro, bicho dos pés, edemas de pernas, hidrocele, sarcocele, lombrigas, ernias, leuchorréa, dysmnorréa, hemorróidas, dispepsia, vários efeitos convulsivos, hepatites e diferentes sortes de febres intermitentes e remitentes.</p>
<p>Apoiados no parecer dos médicos, os vereadores levantaram a suspeita de o foco gerador de algumas dessas doenças epidêmicas, em especial a sarna, erisipela, bexiga (varíola) e tuberculose, eram negros recém-chegados da África. Sugeriram que o mercado de escravos fosse transferido da atual Praça 15 de Novembro para um local mais afastado. Julgando que os seus interesses seriam prejudicados, os traficantes reagiram e processaram a Câmara Municipal. Seguiu-se um embate jurídico que só terminou quando o vice-rei, marquês de Lavradio, tomou o partido dos vereadores e determinou a transferência do mercado de escravos para a região do Valongo, onde estava na época da chegada de D. João ao Brasil.<sup>30</sup></p>
<p>Mais difícil do que diagnosticar a causa das doenças era combatê-la. Como em toda colônia, não havia no Rio de Janeiro médicos formados em universidades. Uma forma rudimentar de Medicina era praticada pelos barbeiros. Thomas O’Neill, tenente da Marinha Britânica que acompanhou D. João ao Brasil, ficou intrigado com o número de barbearias e os fins aos quais se destinavam: “As barbearias são aqui bastante singulares. O símbolo dessas lojas é uma bacia, e o profissional que aí trabalha acumula três profissões: dentista, cirurgião e barbeiro”<sup>31</sup></p>
<p>O pesquisador carioca Nireu Cavalcanti encontrou no Arquivo Nacional documentos que ajudam a dar uma noção do que era a saúde e a medicina no Rio de Janeiro na época de D. João VI. São inventários <em>post-mortem</em> de dois médicos, que relacionavam os bens deixados pelos falecidos. Um deles, do cirurgião-mor Antônio José Pinto, falecido em 1798, inclui essa assustadora relação de “instrumentos cirúrgicos”: um serrote grande, um serrote pequeno, uma chave de dentes, duas facas retas, duas tenazes, uma unha de águia, dois torniquetes, uma chave inglesa e uma tesoura grande. O outro inventário, Antônio Pereira Ferreira, morto também em 1798, serve para dar uma idéia de como era o sortimento de uma farmácia da época. A lista inclui cascas, emplastros, fungos, minerais, óleos, raízes, sementes e um item chamado “animais e suas partes”, com “óleo humano”, “lixa de lagarto”, “olhos de caranguejos brutos”, “raspas de ponta de veado” e “dentes de javali”.<sup>32</sup></p>
<p>A chegada da família real produziu uma revolução no Rio de Janeiro. O saneamento, a saúde, a arquitetura, a cultura, as artes, os costumes, tudo mudou para melhor – pelo menos para a elite branca que freqüentava a vida na corte. [...]</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong>No próximo post, considerações sobre essa passagem do livro.</strong></span></p>
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