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  • Agradecimentos ao colega Giovani e Alex Gesner

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  • Temos internet, mas não estudamos;

    Temos empregos, mas não nos dedicamos;

    Temos imunobiológicos, mas não nos vacinamos;

    Temos conhecimento, mas não praticamos.

    Não queremos o mosquito, mas em casa o criamos;

    Queremos mudanças, mas nos acomodamos;

    Naquelas eleições, já não sabemos em quem votamos;

    E são tantos medicamentos que nos automedicamos.

    Quem somos nós? Humanos.

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  • Certo dia fui solicitada por dona Esperança para ajudá-la a resolver sua situação de saúde. Após biópsia de nódulo de tireóide veio a fatídica notícia de Câncer. Consulta com oncologista e exames de laboratório realizados, uma lista de exames especializados para estadiamento do tumor em mãos.

    Tudo agendado (com a demora de sempre mesmo com a prioridade para o agendamento) chega o grande dia do último exame a ser feito: a Cintilografia Óssea. Esse exame pode avaliar, de uma única vez, todo o sistema esquelético.

    Existem várias indicações para o exame, dentre elas o estadiamento de câncer, demonstrando metástase óssea antes de serem evidenciadas em estudo radiológico. Não é necessário nenhum preparo específico anterior ao exame. Ele é contra indicado apenas para gestantes ou mulheres que estejam amamentando.

    Ciente do procedimento e ansiosa pela espera do tão importante dia, dona Esperança chega à clínica com os outros exames realizados e apresenta-os à recepcionista seguindo o fluxo do local. De repente:

    RECEPCIONISTA: Senhora, está faltando o BHCG. Sem ele, não pode realizar o exame! (BHCG é um exame para diagnóstico de gravidez)

    DONA ESPERANÇA (sem entender a necessidade do exame): Mas por quê? Grávida, eu? Impossível!

    RECEPCIONISTA: Porque é obrigatório realizar esse exame, senhora!  Grávidas são proibidas de fazer, então o BHCG é obrigatório para descartar qualquer possibilidade.

    Depois de muita discussão e nenhum entendimento, Esperança vai em busca do laboratório. Chegando lá, mais uma surpresa: o SUS não aceitou cobrir o exame por falta de justificativa para a solicitação. Indignação geral. Ela então decidiu pagar o bendito exame. Mas como? Sem dinheiro, recorre à equipe do PSF e cada funcionário dá sua contribuição. O laboratório mesmo sem entender aceita realizar o exame. Dona Esperança retorna à clínica depois de dois dias com o BHCG feito e resultado negativo (lógico). Agora, terá que aguardar nova vaga para a cintilografia, sem previsão de data. Dona Esperança, 79 anos, volta para casa na esperança de dias melhores (dia de fazer a cintilografia, de mostrar o resultado para o especialista e iniciar o tratamento que tem direito).   

    Esperança é nome fictício, dado a uma mulher, idosa, residente em um bairro de periferia, sofrida com a vida de restrições, viúva há 10 anos, histerectomizada, descrente com o sistema, mas como o próprio nome, espera otimista e com confiança (em Deus) de que um dia tudo vai dar certo!

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  • São grandes as repercussões em relação aos programas de planejamento familiar. As pessoas desconhecem as reais perspectivas educacionais e preventivas que estão em jogo nesse programa. Porém, todos apenas o compreendem como o programa que existe para evitar filhos. Sem contar que a classe masculina também não entende a importância de participarem desse processo junto com as suas parceiras, esposas, mulheres, ou seja lá como “classificam” nos dias de hoje.

    Mas, vejam a cena: unidade de saúde, um distrito de um grande município, população carente, atendida por esse serviço que atuava na modalidade do Saúde da Família.

    Uma mulher, jovem, 21 anos, evangélica (daquelas bem fervorosas, sabe?), mulher na flor da idade e com toda disposição do mundo. Estava nos preparativos para o seu vindouro casamento, resolveu então procurar o serviço para uma consulta de planejamento familiar.

    Um detalhe a deixava perturbada. Era virgem, imaculada. Nunca havia sido “bulida”. Sua cabeça fervia com a possibilidade de fatalmente engravidar na sua primeira vez, na sua tão esperada lua de mel. Uma criança passaria a fazer parte dos seus planos, mas esse não era o exato momento. Era jovem, havia coisas a experimentar, situações novas a vivenciar. Era preciso ter cautela.

    Procurava estabilidade, queria aguardar mais tempo. Estar mais preparada, com melhores condições para ter e criar sua criança. Se é que essas condições realmente um dia chegam!

    Foi atendida pela enfermeira da unidade. Prontamente contou a sua história. Deixou claro a sua condição de donzela. Mulher moça “inocente” e angustiada. Informava que precisava urgentemente aderir a algum método contraceptivo, pois o grande dia aproximava-se e queria estar segura de si.

    A enfermeira bastante atenta aos detalhes, inicia então o seu processo de anamnese. Queria saber mais daquela usuária para junto com ela discutir e optar qual método seria o de melhor adaptação e eficácia para aquele caso.

    Diálogo aberto, surge então a pérola:

    • ENFERMEIRA: Você tem algum parceiro?
    • USUÁRIA: Não, como eu disse, sou virgem, nunca fiz essas coisas não. Sou da igreja.
    • ENFERMEIRA: Hum… Ok. Mas, você já teve algum contato sexual, mesmo sendo virgem?
    • USUÁRIA: Veja só … (cara de dúvida) Eu só faço a dieta da proteína, será que tem algum problema?
    • ENFERMEIRA: (espanto, dúvida) como?
    • USUÁRIA: Dieta da proteína, não conhece?
    • ENFERMEIRA: (ainda com cara de espanto) …
    • USUÁRIA: É assim… eu e meu noivo, a gente…. a gente…. bem, meu noivo fica excitado, daí… eu usava a boca sabe…
    • ENFERMEIRA: …. (sem palavras nesse momento!)
    • USUÁRIA: Mas eu nunca fiz sexo não, nunca deixei ele colocar. E quando saia “o líquido”, eu engolia tudinho.
    • ENFERMEIRA: (ainda um tanto quanto perplexa…)
    • USUÁRIA: Bem que ele queira, mas num posso fazer isso não enfermeira. Sexo só depois de casar. Sou da igreja, e você sabe né, tenho que casar virgem!

    _____________

    1. Ahhh… o caso é verdadeiro viu, como todos os outros!
    2. Vivendo e aprendendo sempre!
    3. Alguém vai na dieta da proteína aí?
    4. E para quem ficou curioso, ela optou pela pílula. Levou algumas camisinhas para casa enquanto aguardaria o início do ciclo
    5. Tem alguém virgem por ai? Já fez essa dieta?
    6. Para os desavisados: sexo oral não engravida hein.

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  • Resolvi agora que vou postar os debates do dia-a-dia por aqui.

    Estava conversando com um amigo, revoltadíssimo. Vejam a cena. Ele apresentava sérios problemas de mobilidade dos membros superiores e dores insuportáveis na coluna, mais especificamente na cervical. O desconforto já irradiava pelos seus membros e começava a afetar a parte respiratória, alterando o ritmo das suas incursões.

    Procurou um neurologista com urgência para realizar seu acompanhamento. Eis que no consultório, ele solta a pérola: havia sofrido uma queda importante há alguns dias, sendo a cervical uma das áreas mais comprometidas e traumatizadas nesse evento.

    Seu médico, então, passou a suspeitar de uma possível herniação na área com compressão medular que poderia estar causando os referidos sintomas. Para confirmação diagnóstica, veio então o pedido: RESSONÂNCIA MAGNÉTICA.

    O amigo, que não possuia a “comodidade” de um plano de saúde, contava apenas com o PlanSUS, teve que peregrinar para conseguir vaga e autorização para realização do exame. Sua angústia aumentava, o tempo passada, nada conseguia. Seus sintomas pioravam, ele somatizava e já passava a apresentar outros sinais, muito mais em decorrência do anseio da espera que propriamente vinculado ou relacionado com a possível área lesada.

    Apelou, então. Teve que tomar alguns empréstimos e fazer um levantamento financeiro que fosse suficiente para pagar os R$ 1200,00 (sim, você leu hum mil e duzentos reais) que lhe desse a “oportunidade” de realizar seu exame de forma rápida e eficiente. Já sofrido pelo débito então contraído, teve ainda de suportar permanecer imóvel por mais de 50 minutos num aparelho que “só fazia zuada em seus ouvidos” (ipsis litteris).

    Ávido pelo retorno ao seu médico, passou a pensar sobre as mais variadas hipóteses patológicas que poderiam estar o acometendo naquele momento ou das quais fosse um candidato em eleição. Abriu seu exame, via, via, lia, lia, mas nada entendia. Foi para internet aumentar ainda mais sua tensão. Dr. Google dizia coisas que iam desde uma correção cirúrgica até a possiblidade de paraplegia e óbito.

    Ele era um poço de estresse. E seus sintomas pioravam, outros até surgiam. E não conseguia entender a relação que havia entre eles.

    Consulta marcada, ele aparece uma hora antes do horário previsto. E, como vocês pensam que apenas médicos do SUS se atrasam, nesse consultório particular, teve que esperar por três horas e meia para enfim ser chegado seu o momento. Seu médico pegou logo seu exame, observava aquela tela preta no negatoscópio que nada lhe dizia e ficava ainda mais angustiado enquanto seu médico lia o laudo do perito e balançava a cabeça fazendo “umrum, umrum”.

    Chegado o clímax, eis o diálogo então travado:

    • Seu médico: tenho uma notícia boa e outra ruim. Qual você quer primeiro?
    • O paciente: a ruim, lógico!
    • Seu médico: seus exames indicam que você passa por um período de estresse tremendo.
    • O paciente: (com cara “de que grande novidade”) eu sei doutor, eu sei!
    • Seu médico: mas a notícia boa é que seu exame não deu nada!
    • O paciente: Não deu nada?????? (espanto)
    • Seu médico: sim, não deu nada! Não há nenhuma lesão de cervical, seus sintomas são puramente de cansaço e estresse
    • O paciente: QUE DROGA!
    • Seu médico: (surpreso) não gostou da notícia?
    • O paciente: Doutor, você sabe quanto custou esse exame? Você faz idéia do que eu passei para esse exame não dar nada!!!
    Um abraço ao amigo revoltado. Obrigado pela “divertida” história. Você ainda vai compreender que seu exame não ter dado “nada” é um bom sinal.

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