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    Cenas do cotidiano (03): Grávida, eu?

    Cotidiano 11 Comments

    Certo dia fui solicitada por dona Esperança para ajudá-la a resolver sua situação de saúde. Após biópsia de nódulo de tireóide veio a fatídica notícia de Câncer. Consulta com oncologista e exames de laboratório realizados, uma lista de exames especializados para estadiamento do tumor em mãos.

    Tudo agendado (com a demora de sempre mesmo com a prioridade para o agendamento) chega o grande dia do último exame a ser feito: a Cintilografia Óssea. Esse exame pode avaliar, de uma única vez, todo o sistema esquelético.

    Existem várias indicações para o exame, dentre elas o estadiamento de câncer, demonstrando metástase óssea antes de serem evidenciadas em estudo radiológico. Não é necessário nenhum preparo específico anterior ao exame. Ele é contra indicado apenas para gestantes ou mulheres que estejam amamentando.

    Ciente do procedimento e ansiosa pela espera do tão importante dia, dona Esperança chega à clínica com os outros exames realizados e apresenta-os à recepcionista seguindo o fluxo do local. De repente:

    RECEPCIONISTA: Senhora, está faltando o BHCG. Sem ele, não pode realizar o exame! (BHCG é um exame para diagnóstico de gravidez)

    DONA ESPERANÇA (sem entender a necessidade do exame): Mas por quê? Grávida, eu? Impossível!

    RECEPCIONISTA: Porque é obrigatório realizar esse exame, senhora!  Grávidas são proibidas de fazer, então o BHCG é obrigatório para descartar qualquer possibilidade.

    Depois de muita discussão e nenhum entendimento, Esperança vai em busca do laboratório. Chegando lá, mais uma surpresa: o SUS não aceitou cobrir o exame por falta de justificativa para a solicitação. Indignação geral. Ela então decidiu pagar o bendito exame. Mas como? Sem dinheiro, recorre à equipe do PSF e cada funcionário dá sua contribuição. O laboratório mesmo sem entender aceita realizar o exame. Dona Esperança retorna à clínica depois de dois dias com o BHCG feito e resultado negativo (lógico). Agora, terá que aguardar nova vaga para a cintilografia, sem previsão de data. Dona Esperança, 79 anos, volta para casa na esperança de dias melhores (dia de fazer a cintilografia, de mostrar o resultado para o especialista e iniciar o tratamento que tem direito).   

    Esperança é nome fictício, dado a uma mulher, idosa, residente em um bairro de periferia, sofrida com a vida de restrições, viúva há 10 anos, histerectomizada, descrente com o sistema, mas como o próprio nome, espera otimista e com confiança (em Deus) de que um dia tudo vai dar certo!

    Publicado por Priscilla Sousa @ 14:23

    Tags: cintilografia óssea, Cotidiano, Envelhecimento, saúde

  • 20mar

    Medicamentos 03 – Polifármacia em Idosos: O que é isso??? Por Keila Maia

    Enfermagem, Medicamentos 2 Comments

    É muito comum que com o processo do envelhecimento surjam problemas de saúde, que se tornando crônicos levem as pessoas idosas a fazerem uso contínuo  e na maioria das vezes exacerbado de medicações , que nem sempre  são necessárias. E por outro lado, ocasionam uma série de reações adversas , levando ao surgimento de outros sintomas, e conseqüente uso de novas medicações para saná-las .

    Para maior entendimento, é necessário compreender a definição de Polifármacia, bem traduzido por Papaléo (2005) como”  uso concomitante de fármacos,medida por contagem simples dos medicamentos ou como a administração de um maior número de medicamentos do que os clinicamente indicados.”

    A ingestão maior de medicamentos  entre idosos ocorre com mais freqüência entre aqueles do gênero feminino ,nos  que vivem sem companheiro ou companheira . Sendo fatores facilitadores , o  fácil acesso a medicações ;a  baixa freqüência de uso de recursos não farmacológicos para o manejo de problemas clínicos;  as condições sócio-econômicas; compartilhamento de medicamentos entre parentes,amigos ou vizinhos . Este  último talvez  seja um dos fatores que contribuem de forma mais incisiva para a polifarmácia, instigada pela cultura errônea da auto-medicação.

    A importância de abordar esta temática voltada ao idoso deve-se a maior vulnerabilidade  e menor tolerância ao consumo medicamentoso que o envelhecimento provoca , soma-se a isso as alterações biofisiológicas como aumento do pH gástrico, baixa motilidade gastrintestinal, redução de tolerância aos medicamentos  pela redução do volume do fígado ,diminuição do fluxo sanguíneo ,entre outros.

    Sendo assim, faz necessário um diagnóstico correto dos problemas clínicos apresentados pelos idosos, e que estes não sejam confundidos com alterações próprias do envelhecimento (senescência) , o que levará as pessoas idosas ao uso adequado das medicações sem excessos.

    Contribuiria também a mudança de postura das pessoas em geral, familiares,  cuidadores dos idosos, profissionais de saúde na prescrição desnecessária e na auto-medicação. Um exemplo positivo disso, advém da legislação sanitária e do Conselho de Farmácia para evitar a exposição nas farmácias e o fácil acesso a medicamentos que podem ocasionar reações indesejadas e desnecessárias  às pessoas.

    E para os idosos que necessitam realmente do consumo  diário de um número  elevado de medicamentos, é importante a   realização de  avaliações regulares dos medicamentos usados   pela complexidade do regime posológico,custo e aderência ao tratamento. Cabendo também as equipes de saúde que acompanham os idosos a trabalharem de forma educativa com os próprios idosos, familiares e cuidadores para compreensão dos riscos  que estes correm ao uso excessivo de medicamentos, quando podem ser realizadas ações de cunho não medicamentoso que também podem ser aliadas no tratamento de problemas crônicos de saúde .

    Publicado por Keila Maia @ 0:16

    Tags: Consumo Medicamentoso, Envelhecimento, Reações Adversas, Saúde do Idoso, Senescência

   

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