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  • Meus caros, segue uma das colaborações do mês.

    Por que somos ignorantes?!

    1 Não conheço a história do País.

    Recentemente cogitaram a hipótese de abrir “a história negra” do país, no período da ditadura para a toda população. Mas os grandes responsáveis, os militares, disseram que iriam abrir as feridas e isso poderia trazer consequências irreparáveis. Mas as feridas estão abertas há muito tempo, para muitos pais, filhos, irmãos e amigos que não sabem o que aconteceu com seus entes queridos, desaparecidos no período militar e que há muito, clamam por justiça. Os seus clamores não foram ouvidos pelos políticos, pois os mesmos contam “Estória” e fazem questão de esconder a verdadeira História, os bastidores, os choros, os clamores, os espancamentos, assassinatos das nossas raízes e culturas. Não tive coragem e muito menos algum interesse para querer mudar o final dessa triste história. Nada fiz, apenas me calei. Esqueci que: “Pois o povo que não conhece a sua história, não conhece suas raízes e origens”.

    2 Educação/Saúde

     A Constituição de 1988 relata que é dever do Estado promover saúde, educação, segurança, lazer… Enfim, é responsável por promover a qualidade de vida para todos os constituintes. Sou fiador/financiador para a Constituição, mas para obter uma educação e saúde digna, temos que fazer um complemento. Ou seja, saúde e educação particulares. Recentemente recebi um Projeto de Lei do Senador Cristovam Buarque, que sugeria que todos os agentes públicos deveriam colocar seus filhos em escola pública, inclusive os próprios políticos, assim o dinheiro gasto na devolução do Imposto de Renda com a educação seria destinada para uma educação digna. Bom exemplo de projeto, que infelizmente foi engavetado. Mais uma vez, não protestei. Apenas calei e nada fiz. Em relação à saúde, a Lei Federal 8.080, regulamenta e conceitua o SUS. Já a lei 8.142, regulamenta e cria os Conselhos de Saúde, faz com que a população seja fiscalizadora das contas públicas em relação aos gastos com a saúde e permite que a população tenha o poder do veto ou não. A nossa participação é fundamental. Mas você participa das reuniões do Conselho de Saúde? Não? Deveria.

    3 Comodismo/Fanatismo/Burrice

    Devemos tirar o seguinte slogan: “Ele rouba, mas ele faz”. Foi-se a época do cabresto, da mesmice, do comodismo. Tira essa ideia do seu coração, acorda, chegou a hora de levantarmos a bandeira da revolução, da verdade. Como podemos aceitar dois pesos, duas medidas? Duas histórias, duas atitudes? Vejamos: Quando sabemos de histórias em que promotores, juízes ou desembargadores venderam sentenças e que foram presos e condenados, reagimos, achamos bem feito para eles. Chegamos à conclusão de como pode um funcionário público ganhar tão bem e necessitar de tais atos? Nossa reação para a condenação é imediata em prol da verdade. Mas quando isso acontece com um político ouvimos as seguintes reações: “Isso é mentira. É intriga da oposição. Estão querendo me difamar. Isso que falam são eles, não eu. Eu sou uma pessoa íntegra, honesta e sincera com meu povo, com os meus eleitores.” Ou pior, quantas inúmeras vezes falamos por simples fanatismo: Outro gestor não fez a mesma coisa ou pior? Por que este não pode fazer o mesmo? “Se eu tivesse no lugar faria o mesmo”. Achamos graça, rimos, ficamos balançados com o episódio. Fazemos o que eles querem. Votamos neles outra vez. Mas como pode? Uns, condenamos; outros, damos o perdão? Outra chance? Para sermos taxados de ignorantes e burros? O pior disso tudo é que concordamos e achamos bonito. O pior de tudo é que dizemos: “Sim, senhor”. Acorda! Fala sério. Levantemos a bandeira da não escravidão. Para aqueles que não sabem, os escravos foram libertos pela carta de alforria há mais de 100 anos. Mas para alguns, a questão de mudar é dolorosa, pois temos o direito mas a mesmice não permite. Vai entender esses egoísmos! Não permitem que as outras pessoas possam conhecer os dois lados da moeda. Aqueles que acham que o voto não tem valor, façam a seguinte análise: Por que somos taxados do País da Impunidade? (Lembra os filmes estrangeiros onde os bandidos fazem questão de vir morar no Brasil?). Por que será? Então por que no ano eleitoral para Presidente, Governador e para Deputados (Federal e Estadual), sempre acontece a Copa? (Lembram-se da história do pão e circo na época dos Romanos?) Por que então, os políticos fazem questão de bajular, abraçar, dar presentes, mimos e agrados para as crianças e idosos, sem falar que são capazes de sair no tapa para segurar as alças de caixões justamente no ano eleitoral? Mas quando passa o período eleitoral, você ouve a seguinte frase: “Quem é você?” “Eu te conheço?” “Prova que eu prometi algo para vocês.” Não deixe que apenas 30 segundos ou apenas alguns cliques na urna eletrônica possam mudar sua vida sem a sua participação. Atue, pois votar é querer buscar melhorias a cada dia. Depois não diga que os políticos não têm jeito. Se você não vota, como pode querer mudar o rumo da Nação? Lembra das frases e ditados populares: “Aqui se faz aqui se paga”. “Você colhe o que você plantou”.

    Então, meu caro amigo, mudar é mais que preciso. É uma necessidade. Estou disposto a mudar. E você?

    Júnior Hipólito; Enfermeiro.

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  • ca_mamaEspero que não me chamem de pessimista novamente, apenas estou compartilhando coisas que observo e que julgo estarem equivocadas ou nas entrelinhas. Pois bem, o blog o Médico e o Paciente estimulou a pensar sobre isso.

    Li que a Comissão de Assuntos Sociais (CAS), aprovou no dia 9 de dezembro o Projeto de Lei da Senadora Maria do Carmo Alves que inclui, além das ações já asseguradas pelo SUS com relação ao combate ao câncer de mama, a pesquisa de biomarcadores para detecção precoce do tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil.

    Mente curiosa a minha, busquei na internet o projeto de lei (PL nº 158 de 2009) para dar aquela olhada e fiquei um tanto perplexo com relação às justificativas apresentadas para aprovação do PL.

    Numa das suas justificações, a legisladora afirma que um dos grandes problemas com relação à alta mortalidade no país em decorrência do CA de mama é que eles são descobertos tardiamente, já em estágios III e IV – ponto para ela -, ao contrário do que ocorre nos países desenvolvidos.

    Continuando a leitura, afirma mais adiante que essa redução do número de casos de CA de mama nos países desenvolvidos acontece em função da evolução das áreas de genética e biologia molecular – outro ponto para ela.

    Fico pensando em como a legisladora pode estar distante da realidade brasileira, da realidade dos serviços de saúde do nosso SUS. E, diferente do que fora dito no texto do seu PL, há sim uma política para detecção precoce do CA de mama no Brasil, o problema é que ela não é aplicada como deveria, assim como tantas outras. Figura nesse cenário também o uso de uma tecnologia como estratégia da política: a realização de mamografias.

    A detecção do CA de mama apenas pelo autoexame perdeu seu papel protagonista nesse porque não consegue perceber nódulos menores de 1cm (estágio inicial), apesar de inda ser bastante importante. Por isso, uma das estratégias primordiais é a realização de mamografias anuais a partir dos 40 anos de idade. Esse é o único exame diagnóstico capaz de identificar o câncer quando ainda tem menos de 1cm.

    Porém, não temos mamógrafos para atender toda população feminina do país que demanda aos serviços. Não temos profissionais capacitados para realizar os procedimentos mesmo quando existem máquinas.  Pesquisa do INCA aponta que 77% dos exames foram rejeitados por problemas técnicos (qualidade da imagem ruim, posicionamento incorreto do paciente e uso errado dos aparelhos). Geraram até realização de biopsias equivocadas. O cenário é aterrador. (ver em Ser Mulher Inteligente)

    E vejam, vale informá-los que até esse ano, as mamografias anuais só eram realizadas em mulheres a partir dos 50 anos. Isso foi alterado pela Lei 11.664/2008 que entrou em vigor a partir de abril de 2009 e passou a contemplar as mulheres a partir dos 40 anos. Pensem então no quanto esse volume aumentou e ainda aumentará.

    Nessa perspectiva, as grandes perguntas são: como vamos inserir novas tecnologias no sistema sem que antes funcionem as já existentes? Como inserir tecnologias de base genética e molecular no serviço e não contemplar toda população? Onde ficam os princípios da universalidade e integralidade das ações, pilares do SUS?

    Fico com a impressão de que há o deslumbramento pelo novo, pelo moderno, por fazer elevar o patamar dos serviços do país com a inserção de poderosas tecnologias, sem nem pensar em como ficará a conta e como as pessoas terão acesso a isso. Lembro que coisas mais simples (supostamente!), como fazer um raio-x ou um exame laboratorial, ganham em complexidade a depender da região e do município em foco. Avaliem então um exame genético para identificação de biomarcadores.

    (Agora sarcástico…) Mas não se preocupem, essa é fácil, fácil de resolver! Vamos tornar o país mais desenvolvido, pois assim reduziremos os casos de câncer no Brasil. Isso está dito no PL!. Basta fazermos com que aquela mulher pobre, favelada, marginalizada, faça todo ano uma mamografia e um exame genético para detecção precoce de casos, que segundo o texto acomete mais os genes BRCA1 e BRCA2 (pegou essa????).

    Fantástico essa hein? Além de reduzirmos o número de casos ainda elevaríamos o Brasil ao tão sonhado patamar de país desenvolvido. São de leis “concretas” como essa que o país está carente.

    E sim, Senadora! Concordo com seu texto quando diz que “a genética promete ser o campo de batalha em que essas doenças encontrarão um inimigo capaz de derrotá-las.” Também sou a favor de incorporação de novas tecnologias ao sistema (sempre!), especialmente as de base genética. Apenas identifico que esse ainda é um cenário para os verdadeiros países desenvolvidos, com realidades bastante distintas das nossas, mas que serviram de base para a fundamentação das suas argumentações e justificativas.

    Não somos um país desenvolvido, Senadora. Precisamos, antes de tudo, dar conta do dever de casa. Tem muita coisa pendente, por fazer, por ser aplicada. Vamos aumentar o acesso das mulheres as mamografias e dar a qualidade necessária para as análises serem realizadas com firmeza, com clareza. Creio que assim, os pontos, vão para as usuárias do SUS, para população do Brasil, país em desenvolvimento.

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