Aqui está a produção do meu amigo Tchê, que deverá escrever mais por aqui.
Apreciem e debatam à vontade: o gaúcho é bom de briga. Abração, galo cinza! rs
Você lembra em quem votou nas últimas eleições?
Primeiramente gostaria de registrar minha alegria em contribuir para a página do site PENSO, saudando os amigos que foram ousados e audaciosos em criar um site com esse perfil, o qual nos convida de uma maneira séria e ao mesmo tempo despojada, a nos aproximar com suas cabeças pensantes através de um olhar crítico, valorizando a pluralidade da atuação profissional.
Mas o que quero compartilhar com os nobres leitores é o convite a uma reflexão, permeando ares políticos de um futuro que se aproxima. Queiram aceitar ou não, entramos na reta inicial da política 2012. Basta observar a sua volta, se é que ainda não notaram, que os bastidores políticos clamam por alianças, as quais começam a ser moldadas pelos futuros homens públicos que ocuparão os poderes do executivo e legislativo em nossos municípios e no Brasil.
Muitos, nesse momento, podem achar precoce meu chamarisco, mas nossa análise prévia pode ser determinante para não choramingarmos amanhã. E assim como eles, “os políticos”, devemos desde cedo observar os nossos possíveis candidatos que, por meio de uma democracia, estarão nos representando em algum lugar deste Brasil.
Recentemente, lendo uma reportagem na revista ISTO É, o título de uma matéria destacava: “ISTO PODE!”, referência ao congresso nacional, no qual os deputados absolveram a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), mantendo seu mandato mesmo depois de ser acusada pelo flagrante escancarado obtido em vídeo e áudio (com boa imagem e bom som) recebendo um mensalãozinho. De acordo com a denúncia, o repasse foi em torno de 100 mil reais, feito pelo DEM em troca de apoio político ao ex governador José Roberto Arruda, configurando ganho de dinheiro ilícito além do uso verba de gabinete para o pagamento de aluguel do escritório do marido. O fato que mais me indigna é que mesmo com todas as evidências incontestáveis contra a ré e, com alguns envolvidos no caso já penalizados, a mesma ficou impune.
Saibam vocês, que dos 513 votos correspondentes ao número de deputados no legislativo, apenas 166 votaram a favor da punição e perda de mandato da deputada, enquanto que o restante distribuiu-se em 265 votos contrários a sua cassação, tendo ainda 20 abstenções e 62 ausências. Para que fosse cassada, precisava receber no mínimo 257 votos. Usando do corporativismo existente, os deputados que se opuseram em primar pela ética e indo de encontro a vontade popular no desejo de justiça, pensaram que votando “sim” à cassação, abririam um precedente de julgamento a muitos outros deputados que se encontram, me perdoe o termo, “com o rabo preso”. Perante essa situação, vemos que a câmara dos deputados, ao absolvê-la, está andando na contramão da faxina ética executiva realizada pela presidente Dilma.
“(…) Demonstração clara de corporativismo e falta de respeito à opinião pública…” (Revista Isto É; nº2182/set 2011)
Diante do fato, pergunto: Você lembra em qual deputado votou nas últimas eleições? Tem acompanhado quais projetos ele tem construído frente aos interesses públicos? E, no caso Jaqueline Roriz, será que ele está entre os poucos favoráveis a sua punição ou está do lado dos corporativistas? Ou ainda, será que está entre aqueles que nem sequer comparecem ao plenário, desrespeitando o clamor público?
É bom a gente ficar esperto, porque daqui a pouco eles estão pedindo seu voto novamente. Procure acompanhá-los, vez que outra, através do site www.camara.gov.br ou pela televisão nos canais TV câmara e senado. Se acha distante ou difícil esse acompanhamento, façamos o seguinte: faça as mesmas perguntas para os vereadores que foram eleitos ou no qual você votou. Porque uma vez ocupando um cargo público, eles têm o dever e o compromisso com a população e não somente com os partidários… Avalie qual foi sua contribuição para o desenvolvimento em benefício da sociedade. E o prefeito de sua cidade? Tem investido os recursos públicos, ou seja, o que é nosso, de acordo com as necessidades apontadas pela população? Tem prestado contas de forma programática e transparente? Tem feito bom uso dos bens públicos? Portanto, fortalecer a ética e a transparência política em nosso país é exercer a cidadania, ficando atento ao que está em nossa volta.
Pra quem teve paciência de chegar ao final da leitura desse texto, abordando um tema político a um ano das eleições para prefeitos e vereadores, pode ter demonstrado um interesse passivo ou ativo, ou até mesmo lembranças de temor com a “tensão pré-eleição”. Mas uma coisa eu digo: gostando ou não de política, temos que saber avaliar, votar e cobrar e, querendo ou não, alguém vai ocupar o assento no gabinete.
Finalizo, contando uma história pessoal. Quando tinha meus 16 anos, ouvi uma frase que mudou meu ponto de vista sobre a política. A frase dizia o seguinte:
“Pior do que AQUELE que diz não gostar de política é AQUELE que tem que aceitar as orientações que vêm dela”.
Ariel de Campos Souza Lial (Tchê); Enfermeiro; Presidente do Conselho Municipal de Saúde/São José do Jacuípe-BA



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