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	<title>PENSO &#187; saúde coletiva</title>
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	<description>Discutindo saúde</description>
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		<title>Ser Secretário de Saúde de um município: e agora?</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 22:14:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Alves</dc:creator>
				<category><![CDATA[gestão da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[saúde coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[administração]]></category>
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		<description><![CDATA[Essa vou escrever em consideração a um amigo que recebeu uma proposta tentadora: ser Secretário de Saúde de um município. Que situação desafiadora hein! Logo quando soube, passou um filme na minha cabeça fruto de vivências anteriores e fiquei a pensar se era essa realmente uma boa proposta. Vejam, ser Secretario de Saúde de um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa vou escrever em consideração a um amigo que recebeu uma proposta tentadora: ser Secretário de Saúde de um município.</p>
<p>Que situação desafiadora hein! Logo quando soube, passou um filme na minha cabeça fruto de vivências anteriores e fiquei a pensar se era essa realmente uma boa proposta.</p>
<p>Vejam, ser Secretario de Saúde de um município, antes de mais nada, faz bem ao ego. E não me venham com essa de “poço de humildade” e dizer que não é bem assim. Um convite para assumir uma pasta tão importante num município é a certeza de que a pessoa está sendo apreciada pelas suas qualidades, pelos seus potenciais, pelo seu senso de responsabilidade e seriedade ante o trabalho. Vamos combinar que em alguns municípios a coisa não se desenrola dessa forma, mas “vá lá”, ninguém nos dias de hoje quer colocar um Zé Ninguém para chefiar o setor do município, que junto com a educação, é visto como a “galinha dos ovos de ouro”.</p>
<p>Sim, a saúde é um dos setores mais importantes de uma administração municipal. Lida com um sem número de pessoas, movimenta montantes de recursos materiais e financeiros que vão pela casa dos sete dígitos e, acima de tudo, lida diretamente com vidas. A saúde não pode dar-se ao luxo de descansar. Seus trabalhadores operam 24 horas por dia a garantir que bons serviços sejam prestados à grande massa populacional dependente dos recursos do SUS.</p>
<p>Destaco ainda que estar a frente de uma secretaria como essa, traz ainda mais vislumbre pela possibilidade de mudança, transformação. Sabe aquelas idéias miraculosas que temos no tempo de estudantes, a simplicidade como vemos soluções já como operários do sistema ou daquelas críticas que formulávamos quando víamos que a administração dos serviços podia ser diferente? Pois é, agora mais do que nunca, enquanto representante da pasta, elas deixam de ser abstratas. Ganham cor, forma, materializam-se, tornam-se agora palpáveis e passam a incomodar muito mais como gestores. É como se dizem por aí: virar vidraça!</p>
<p>Ser gestor da saúde também é ter poder, outra característica inegável e porque não dizer a mais importante delas. Através dessa força, pode-se tirar do campo da imaginação tudo aquilo que antes figurava apenas como uma simples idéia para gerir esse poderoso sistema. A sua aplicação é que determinará como as relações de trabalho acontecerão e a ampliação dessa força está intimamente atrelada à capacidade de articulação daquele que se arvorou ao cargo. Diria ainda que é a mais tentadora das “ferramentas” que vêm agregadas e que muitas vezes ofuscam e desvirtuam. Ela com certeza pode modificar o caráter das pessoas. Tão oportuna é nesse momento a máxima de que para se conhecer verdadeiramente uma pessoa basta que lhe dêem a força, o poder.</p>
<p>São essas apenas algumas características que quando bem direcionadas, podem fazer maravilhas e transformar para melhor o cenário de saúde de um município.</p>
<p>Mas, nem tudo são maravilhas sempre!</p>
<p>Infelizmente as boas administrações municipais das secretarias de saúde são a exceção, e não a regra. Nem sempre as melhores pessoas são selecionadas para assumir esses cargos e por vezes são obscuros esses processos de escolha. Muitos interesses particulares estão em jogo nesse momento. Quem nos dera que o critério de seleção dos secretários de saúde e dos demais cargos da estrutura fossem todos realizados com grande peso para a bagagem técnica do profissional e sua capacidade de trabalho.</p>
<p>As políticas partidárias infectaram esses sistemas de escolha para o qual não conseguimos remédios. Não fazem distinção do que é partidário e do que é político. Emperram aspectos técnicos ou nem sequer os consideram, desde que os interesses do minoritário grupo sejam atendidos, quase sempre em detrimento dos interesses de toda uma população.</p>
<p>Pior ainda é a situação quando são convencidas pessoas de caráter ilibado, éticas e de grande capacidade, para assumir o cargo de secretário de saúde num local onde co-existem pessoas ruins de trabalho, com interesses particulares e até contrários as novas propostas que chegam.</p>
<p>Boas pessoas não conseguem conviver num cenário tão tenebroso. O Brasil a cada dia dá mais e mais indícios que as práticas ilícitas já convivem num ambiente de normalidade entre as pessoas. Tornou-se habitual o roubo, a libertinagem, a malversação do patrimônio público e a impunidade perante os casos que cada dia mais assombram aqueles que procuram seguir suas vidas sob princípios morais, éticos e de honestidade. É tão esquisita e esdrúxula a situação que confunde a cabeça das pessoas, sobretudo daqueles que estão em formação do seu caráter.</p>
<p>Além disso, os desafios deixam de ser enfrentados no espaço do trabalho e invadem o campo pessoal. Passam a afetar justamente os princípios que essas “boas pessoas” procuram preservar e podem criar rótulos, estereótipos ruins e que balançam a estrutura do ser humano. Alguns, para tentar conseguir avanços, são prostituídos. Terminam cedendo a pressões, optam pela conivência com ações que ferem a moral e os bons costumes. E olhe, o fato de apenas fechar os olhos ao que se passa, também configura uma conivência, configura, portanto, cumplicidade.</p>
<p>São realmente imensas as tentações. Uns terminam cedendo aos maus vícios e práticas do sistema. Outros, por não suportarem tão calamitosa situação, retiram o seu time de campo e vêem escorrer como areia entre os dedos a grande chance de realizar mudanças positivas no cenário de saúde de sua localidade.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">Mas, eu acredito! Há luz no fim do túnel</span>.</strong></p>
<p>Caro amigo, pode até parecer que assumir uma secretaria de saúde apresente mais contras do que prós. Mas é chegada a hora de contaminar as pessoas com as boas práticas, com os bons valores. As oportunidades cada dia são menores. Às vezes, os sacrifícios são muito grandes e implicam abdicar de muitas coisas interessantes e convenientes.</p>
<p>Mas é preciso que alguém faça a diferença. É preciso criar referência, boas referências. Até quando aceitaremos gestores que nada fazem e só querem enriquecer aos custos do público ou utilizar a máquina como o velho trampolim para galgar vôos políticos maiores? Não agüento mais ouvir que “Fulano rouba, mas faz!”.</p>
<p>Caso realmente aceite a proposta, vá com coragem e força para mudar. Não deixe abater-se ante as situações difíceis. Imponha seu ritmo de trabalho, envolva pessoas, conquiste espaço, seja persuasivo e procure apontar sempre boas alternativas e soluções para problemas que parecem invencíveis.</p>
<p>Seja político e saiba distinguir os interesses. Defenda as causas da coletividade e de forma técnica, não realize trabalhos por caprichos. Não se preocupe em aparecer. Só deixa legado aqueles que realmente constroem alguma coisa e provocam grandes transformações.</p>
<p>Sinta-se importante sim, mas não se esqueça de ser humilde. Trate as pessoas de forma horizontal, igual. O cargo é passageiro, mas as pessoas ficam. Não esqueça que se aprende no dia-a-dia e que o mundo dá muitas voltas.</p>
<p>Falo aqui como uma pessoa que já viu algumas coisas por aí. Mas, acima de tudo, tenho certeza que transmito o desejo de tantas outras pessoas que também querem ver as coisas darem certo, seja onde for. Queremos pessoas que vistam a camisa e que defendam o SUS.</p>
<p>Tenho certeza de que outros muito mais experientes podem fazer melhores relatos de dar algumas dicas. Como sempre, o espaço está aberto, façam seus comentários.</p>
<p>Boa sorte e força! Estamos juntos.</p>
<p>Ahhh&#8230; e se ficaram curiosos com relação a quem é o “amigo”, não se preocupem, vão ouvir falar dele, vão ouvir ele.</p>
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