Prezados, estou realizando a leitura de uma obra que há muito gostaria de tê-lo feito: 1808 de Laurentino Gomes (Ed. Planeta) que versa sobre a chegada da família Real ao Brasil.
A leitura é fantástica. A riqueza de detalhes e o aprofundamento das pesquisas realizadas pelo autor nos remonta àquela época e nos faz vivenciar de uma forma muita clara e elucidativa como aconteceu o processo historio-evolutivo da nossa terra brazilis.
Assim, como não podia deixar de ser, não consigo largar mão do olhar armado, direcionado. Fico atento às passagens literárias que trazem detalhes do cenário de saúde do Brasil Colônia e como esse quadro foi evoluindo com a chegada da família real ao Brasil, especialmente com o choque cultural da área médica ocorrida com a chegada dos lusitanos.
Enquanto faço a leitura, vou separando trechos e passagens interessantes, fazendo minhas conjecturas e comparações com o tempo presente para que possamos discutir por aqui. Vejam abaixo primeiro trecho destacado na obra com referência as práticas de saúde da época:
A saúde era absurdamente precária. ‘Mesmo nos centros mais importantes da costa era impossível encontrar um médico que tivesse feito um curso regular’, conta Oliveira Lima, baseando-se nos relatos do comerciante inglês John Luccock, que a partir de 1808 viveu 10 anos no Rio de Janeiro. “As operações mais fáceis costumavam ser praticadas pelos barbeiros sangradores e para as mais difíceis recorria-se a indivíduos mais presunçosos, porém no geral igualmente ignorantes de anatomia e patologia.” 12 A autorização para fazer cirurgia e clinicar era dada mediante um exame perante o juiz comissário, ele próprio um ignorante da ciência da Medicina. Os candidatos eram admitidos nessa prova se comprovassem um mínimo de quatro anos de prática numa farmácia ou hospital. Ou seja, primeiro se praticava a Medicina e depois se obtinha a autorização para exercê-la.
Cap. 9 – A Colônia p. 124
Comparações e constatações
Interessante perceber que mesmo passados mais de 200 anos da vinda da família real ao Brasil, ainda nos dias de hoje constatamos que alguns cenários são perenes, imutáveis. Saúde precária, especialmente pública, não é privilégio de uma ou outra localidade, existe em todos os confins dessa nossa terra. Acessibilidade a profissionais de saúde com formação superior também constitui um grave problema nos dias atuais. E percebam: a primeira escola de medicina do Brasil foi fundada na Bahia com a vinda de sábios, intelectuais e profissionais/professores de Lisboa, e ainda assim, mesmo após todo esse tempo, ainda temos carência de profissionais formados e qualificados, especialmente profissionais da medicina.
Comentários Recentes