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  • 16mai

    Cenas do cotidiano (03): Grávida, eu?

    Cotidiano 11 Comments

    Certo dia fui solicitada por dona Esperança para ajudá-la a resolver sua situação de saúde. Após biópsia de nódulo de tireóide veio a fatídica notícia de Câncer. Consulta com oncologista e exames de laboratório realizados, uma lista de exames especializados para estadiamento do tumor em mãos.

    Tudo agendado (com a demora de sempre mesmo com a prioridade para o agendamento) chega o grande dia do último exame a ser feito: a Cintilografia Óssea. Esse exame pode avaliar, de uma única vez, todo o sistema esquelético.

    Existem várias indicações para o exame, dentre elas o estadiamento de câncer, demonstrando metástase óssea antes de serem evidenciadas em estudo radiológico. Não é necessário nenhum preparo específico anterior ao exame. Ele é contra indicado apenas para gestantes ou mulheres que estejam amamentando.

    Ciente do procedimento e ansiosa pela espera do tão importante dia, dona Esperança chega à clínica com os outros exames realizados e apresenta-os à recepcionista seguindo o fluxo do local. De repente:

    RECEPCIONISTA: Senhora, está faltando o BHCG. Sem ele, não pode realizar o exame! (BHCG é um exame para diagnóstico de gravidez)

    DONA ESPERANÇA (sem entender a necessidade do exame): Mas por quê? Grávida, eu? Impossível!

    RECEPCIONISTA: Porque é obrigatório realizar esse exame, senhora!  Grávidas são proibidas de fazer, então o BHCG é obrigatório para descartar qualquer possibilidade.

    Depois de muita discussão e nenhum entendimento, Esperança vai em busca do laboratório. Chegando lá, mais uma surpresa: o SUS não aceitou cobrir o exame por falta de justificativa para a solicitação. Indignação geral. Ela então decidiu pagar o bendito exame. Mas como? Sem dinheiro, recorre à equipe do PSF e cada funcionário dá sua contribuição. O laboratório mesmo sem entender aceita realizar o exame. Dona Esperança retorna à clínica depois de dois dias com o BHCG feito e resultado negativo (lógico). Agora, terá que aguardar nova vaga para a cintilografia, sem previsão de data. Dona Esperança, 79 anos, volta para casa na esperança de dias melhores (dia de fazer a cintilografia, de mostrar o resultado para o especialista e iniciar o tratamento que tem direito).   

    Esperança é nome fictício, dado a uma mulher, idosa, residente em um bairro de periferia, sofrida com a vida de restrições, viúva há 10 anos, histerectomizada, descrente com o sistema, mas como o próprio nome, espera otimista e com confiança (em Deus) de que um dia tudo vai dar certo!

    Publicado por Priscilla Sousa @ 14:23

    Tags: cintilografia óssea, Cotidiano, Envelhecimento, saúde

  • 11mai

    Tirinha… Remédio para hipertensão

    humor 3 Comments

    Valeu Pri. ;)

    Publicado por Wagner Alves @ 9:04

    Tags: hipertensão, humor, saúde

  • 11mai

    Tirinhas… Dupla personalidade

    humor 1 Comment

    Publicado por Wagner Alves @ 8:58

    Tags: Dr. Pepper, humor, saúde

  • 25fev

    (01) Você sabia?

    Curiosidade Nenhum Comentário

    Esta seção foi criada para aquelas informações simples, diretas, mas que valem a reflexão

    Você sabia…

    … que 10 pessoas são atacadas por cachorros a cada hora no Estado de São Paulo

    … e que 19% dos dentistas do mundo são brasileiros! São 220.000 dentistas por aqui.

    Publicado por Wagner Alves @ 17:52

    Tags: Curiosidade, saúde

  • 23fev

    É o que dizem: a internet salva as pessoas!

    humor Nenhum Comentário

    Publicado por Wagner Alves @ 15:39

    Tags: humor, internet, saúde

  • 28out

    Comentários: Evolução da saúde brasileira na época do Brasil Colônia II

    história da saúde, saúde, saúde coletiva 2 Comments

    1808Analisando o post abaixo temos revelações interessantes nas entrelinhas.

    Podemos observar que mesmo de forma rudimentar, já eram realizadas atividades de saúde baseadas em pensamentos coletivos e epidemiológicos. Vejam que a estratégia adotada em 1798, de compor uma equipe de “profissionais” para tentar sanar os problemas de saúde, ainda que fosse por conta da chegada da família real ao Brasil, pode configurar a primeira grande atividade de saúde planejada do Brasil e que abrangeu a coletividade da colônia. Sem contar que essa prática fora norteada com base em dados catalogados num período de 2 anos, muito semelhante às perspectivas atuais de uso da epidemiologia para direcionamento e planejamento das intervenções de saúde.

    O livro ainda nos revela que naquela época o tema saúde não era vista como algo a parte do crescimento da colônia. Esse era um tema tratado com enorme sensibilidade pelos nobres da época, pois compreendiam que condições de saúde favoráveis, especialmente da vassalagem e dos escravos, significavam maior produção nos seus engenhos e práticas comerciais. Eis que essa passagem denota que já de priscas eras a saúde era tratada com fortes vínculos comerciais, sempre analisada à luz do mercado.

    Intriga saber se em algum momento da nossa história o tema saúde fora tratado com bases em pensamentos puramente coletivos, de manutenção de boas condições de saúde da população e da elevação da qualidade de vida dos povos. São as tristes heranças que mantiveram-se ao longo dos tempos.

    Agora, com certeza, a melhor de todas constatações é notar como a evolução da ciência médica e incorporação de novos saberes permitiram a espantosa modificação das práticas de saúde. Caso contrário, ainda hoje poderíamos estar utilizando uma “lixa de lagarto”, “olhos de caranguejos brutos” ou “raspas de ponta de veado” para realizar tratamentos e curar enfermidades.

    É inegável que mesmo sendo o Brasil uma colônia extrativista, muito do desenvolvimento do país, especialmente os primeiros passos da organização do sistema e da formação dos profissionais de saúde, devemos à importação dos costumes e práticas vindas com a invasão estrangeira de nossas terras.

    Um brinde à evolução dos tempos! O resto dos comentários ficam por conta de vocês.

    Publicado por Wagner Alves @ 16:34

    Tags: 1808, Brasil, Brasil Colônia, epidemiologia, medicina, saúde

  • 28set

    Será o Dr. Google o vilão da área médica?

    comportamento, saúde, tecnologia Nenhum Comentário

    Mais uma vez minhas previsões sobre o domínio do mundo pela Google estão se concretizando! Já vinha discutindo isso com alguns colegas e falava que a área de saúde ainda era um “mercado” não especulado pela Google.

    Pois bem, não era mais. Duas novas vertentes estão causando dor de cabeça na área médica e sendo motivos de polêmicas e discussões: o lançamento do Google Health (aqui e aqui) e o surgimento do “paciente expert” (aqui) e do cybercondríaco.

    Vislumbrando que a área de saúde tem um grande potencial para crescimento, a Google lançou um blog e passou bom tempo coletando informações de saúde dos usuários, o que mais procuravam na rede e como manipulavam as informações obtidas. Isso permitiu a empresa perceber a necessidade de se aglutinar as informações de saúde das pessoas num lugar de fácil acesso e evitar inclusive que o histórico de saúde de cada uma fosse perdido com o decorrer dos anos.

    A plataforma do Google Healht (ainda sem versão para o português) permite que os usuários com login Google cadastrem e lancem as informações do seu histórico, descrevam seu perfil de saúde, importem recordações e históricos médicos de outros serviços ligados à rede e, além de oportunizar a busca por serviços e clínicas disponíveis, traz ainda a possibilidade de encontrar profissionais que, por ventura, poderão realizar orientações e “intervenções” de saúde, com base nas informações disponibilizadas na plataforma.

    Essa ferramenta da Google aumenta ainda mais a angústia de profissionais de saúde comprometidos. Tem sido cada vez mais comum pessoas leigas na área e pacientes realizarem procedimentos ou automedicação baseados puramente em pesquisas realizadas na rede. Pessoas com esse tipo de atitude tem sido chamadas de “paciente expert” ou “cybercondríacos”, que dispensam o atendimento e acompanhamento de profissionais qualificados e dão “credibilidade” a orientações retiradas de mecanismos de pesquisa, por vezes de conteúdo de carater duvidoso ou sem algum embasamento técnico-científico.

    Esse é um bom exemplo de que nem sempre inserção de tecnologias na área de saúde agregam valor ou promovem o crescimento. Percebam ainda que essa preocupação surge exatamente num momento de fragilidade da relação médico – paciente e que tem sido também alvo de discussões, o que não colabora em nada para o resgate da credibilidade e confiança dessa relação.

    Imaginem então a situação: o sujeito acha que está com algum problema de saúde e no Google Health encontra o “seu doutor” que prescreve alguns exercícios e medicamentos do qual esse sujeito faz uso de forma incondicional. Dias mais tarde, esse mesmo sujeito é alvo de uma importante reação anafilática que o leva ao serviço de emergência e horas mais tarde, esse mesmo paciente vai a óbito. Tudo isso porque no seu histórico de saúde, que é alimentando indivualmente, não costava a informação que “o sujeito” era alérgico exatamente ao medicamento que fora prescrito pelo “seu doutor”.

    Cenas como essa e outras (usem a imaginação) poderão ocorrer com freqüência se essa prática não for controlada e monitorada.

    Creio que ninguém é contra a utilização de tecnologias como essa, pois são importantes incrementos para a evolução das práticas na área de saúde. O que preocupa é a visão e o direcionamento que essas ferramentas tomam, pois são sempre utilizadas para atender a fins específicos sem observar as conseqüências que podem acarretar na população em geral.

    Já ouvi relatos de pessoas amigas que é muito mais fácil e simples procurar por orientações do “Dr. Google” quando existe tanta dificuldade em acessar serviços, especialmente os de saúde pública. Ademais, outros ainda argumentam que as consultas com os profissionais tem sido cada vez mais curtas e frias, sem a sensibilidade e a atenção necessárias por parte dos profisisonais, para garantir boa adesão ao tratamento e orientações dispensadas.

    É importante perceber que alternativas como o Google Health / Dr. Google só ganham espaço especulando as fragilidades existentes no sistema quanto a acessibilidade a serviços e insumos e pela baixa credibilidade dada pela população aos profissionais e a serviços puramente técnicos sem nenhuma estratégia de acolhimento.

    Faço esse relato por fim para que o foco não seja perdido. Não adianta tentar lutar contra as tecnologias, elas virão. É necessário resgatar valores, dinfundí-los nas comunidades e os tornar fortes, sólidos. Por enquanto, tecnologia alguma substitui a sensibilidade de ter diretamente com o profissional de saúde.

    Publicado por Wagner Alves @ 17:48

    Tags: google, Google Health, medicina, saúde

   

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