Eis um tema que venho discutindo a algum tempo com meus pares. Cada dia é maior o número de estudantes que matriculam-se (e até concluem) seus cursos de pós-graduação (lato sensu) antes mesmo de terem concluído suas graduações.
Nos cursos de saúde, em especial na área de Enfermagem, sítio do qual posso fazer o meu relato, isso está virando uma febre. Com o mercado cada vez mais competitivo e com a abertura tresloucada de cursos em qualquer esquina, a qualidade da formação dos sujeitos e das instituições formadoras está cada vez mais em xeque. E fatalmente, temos aí configurada uma queda da qualidade dos profissionais que passam a estar disponíveis ao mercado.
Acompanhando essa caudalosa enxurrada de nascimento de novos cursos, o mesmo fenômeno acontece com o surgimento dos cursos de pós-graduação. Diria que esses ainda numa velocidade muito maior, dada as facilidades ante a legislação nacional para fazê-los funcionar e a grande demanda de mercado existente. Há um sem número de profissionais ávidos por garantir sua vaga de emprego e outros mais sedentos ainda por abocanhar uma fatia desse bolo.
Isso tem modificado o paradigma educacional de formação, qualificação e especialização dos profissionais em determinadas áreas e campos de conhecimento. Vê-se que a perspectiva mercadológica passa a imperar. O sujeito agora, faz a sua pós, não apenas para qualificar seu trabalho e melhorar enquanto profissional, mas primariamente para se destacar no “seletivo” mercado de trabalho, com raríssimas exceções.
Isso tem causado movimentos publicitários e de marketing muito fortes, todos tentando seduzir os profissionais a ingressar nos cursos oferecidos. Alguns chegam até a ser apelativos, mas nessa lógica, tudo vale a pena para levar mais uma cabeça que vai pagar entre R$ 200,00 a R$ 500,00 por mês. Sem contar que surgem novas especializações, sub-temas de áreas de conhecimento já específicos, o que afunila ainda mais a formação e dá margem ao surgimento de profissionais que sabem muito de um pouco e perdem a noção do geral (conheço isso como mito do especialista numa abordagem de antropologia filosófica).
Acompanho alunos de faculdades e fico assustado quando observo que mais da metade deles (dos alunos concluintes ou próximos da conclusão do curso) já estão cursando suas pós-graduações, sem ao menos terem a certeza de que terão êxito no final da sua graduação. Já pensaram na seguinte situação: “é… concluí minha pós em saúde do trabalhador, mas como perdi uma disciplina durante o curso e não paguei a matéria, vou ter que ficar mais um semestre na faculdade só para fazer essa disciplina, e quando terminar, já tenho meu título na mão”.
Isso foi o que ouvi de um dos alunos no final do primeiro semestre do ano passado, relato verdadeiríssimo de um cenário que cada dia mais é cotidiano e não raro.
Isso tem mexido até com a estrutura das faculdades e dos cursos de graduação que passam a adaptar-se a realidade, deixando de fazer abordagens educacionais ainda na graduação, com a desculpa esfarrapada de que esse conteúdo deverá ser visto nos cursos de pós-graduação (que por sinal, na maioria das vezes, é também oferecido pelas mesmas instituições de ensino, onde qualquer semelhança é mera coincidência). No mínimo, fico algo de tenebroso no ar.
Mas, não se enganem. É proibido, é vedado as instituições de formação e curso de pós-graduação aceitarem alunos que ainda não disponham de atestado de conclusão de curso e/ou diploma de graduação em mãos. Duvida?? Então veja aqui, aqui e aqui.
Porém, o que se vê por aí são os “jeitinhos”, coisa bem típica da cultura nacional, onde tudo é possível e tudo se arruma para o sujeito cursar a pós-graduação. Sempre arranjam um jeito de burlar o sistema quando o objetivo é colocar dinheiro em caixa. Acho que a exploração comercial do mercado é algo factível e legal, o que não dá é fazer isso burlando o sistema e as regras do jogo.
Até aqui é o que sei. Se há novidades em relação a temática, está aí uma boa oportunidade de abrirmos um canal de comunicação e podermos ouvir outras vozes.
Devemos nos manter alertas e executar o papel de controle social que nos cabe. Aos alunos de graduação, sugiro que busquem avaliar bem as condições de ingresso e a qualidade da instituição formadora da qual farão a opção por especializar-se. Sejam diferentes e “comecem” fazendo a diferença.
Ahh!!!! E para ilustrar o que eu falei, lá vamos de Google imagens.





Analisando o post abaixo temos revelações interessantes nas entrelinhas.
Mais uma vez minhas previsões sobre o domínio do mundo pela Google estão se concretizando! Já vinha discutindo isso com alguns colegas e falava que a área de saúde ainda era um “mercado” não especulado pela Google.
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