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	<title>PENSO &#187; serviços de saúde</title>
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	<description>Discutindo saúde</description>
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		<title>Check-up faz mal ao SUS</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jan 2009 02:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Alves</dc:creator>
				<category><![CDATA[serviços de saúde]]></category>
		<category><![CDATA[sistema de saúde]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>

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		<description><![CDATA[Meses de dezembro a março: esse é o grande período de concentração de pessoas em consultórios e clínicas de saúde. As pessoas aproveitam o seu tempo livre nas férias para realizar o que chamam de check-up, terminologia americana que fora utilizada nos anos 50 num dos programas espaciais ianque, em que os astronautas tinham de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.materdei.com.br/jornal_set_out_2007/img/01.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 224px; height: 296px;" src="http://www.materdei.com.br/jornal_set_out_2007/img/01.jpg" alt="" border="0" /></a>Meses de dezembro a março: esse é o grande período de concentração de pessoas em consultórios e clínicas de saúde. As pessoas aproveitam o seu tempo livre nas férias para realizar o que chamam de <a href="http://veja.abril.com.br/230403/p_074.html"><span style="font-style: italic;">check-up</span></a>, terminologia americana que fora utilizada nos anos 50 num dos programas espaciais ianque, em que os astronautas tinham de se submeter a uma bateria de exames para evitar complicações durante o lançamento e na sua estadia fora dos confins do nosso planeta.</p>
<p>Nos anos 80, a idéia dos <span style="font-style: italic;">check-ups</span> ganha força através do <span style="font-style: italic;">lobby</span> realizado pelas empresas da saúde. Vislumbraram na época a grande oportunidade de fazer mercado com a necessidade de saúde da população e passaram a trabalhar então sob duas frentes: no desenvolvimento de tecnologias diagnósticas cada vez mais especializadas e menos agressivas e invasivas, e do outro lado, a difundir a necessidade de realização de exames periodicamente, como estratégia de prevenção e promoção da saúde, sobretudo na classe médica e nos serviços privados de saúde.</p>
<p>Como aqui no Brasil pouco se cria e muito se copia, e some a isso o encantamento da população às tendências dos grandes centros mundiais, nosso país não poderia ficar de fora dessa onda mercantilista da saúde no cenário mundial. Eis que os nossos compraram e também difundiram a idéia da <a href="http://www.materdei.com.br/jornal_set_out_2007/materia07.jsp">realização dos <span style="font-style: italic;">check-ups</span> como uma das estratégias mais interessantes para realizar prevenção em saúde</a>, claramente uma visão do modelo médico privatista.</p>
<p>Os brasileiros, indepente da sua classe social e da acessibilidade que possuem a bens e serviços, passam a frequentar clínicas e unidades de saúde direcionando e até exigindo dos profissionais a bateria de exames que dá corpo aos <span style="font-style: italic;">check-ups</span>. Algumas pessoas passaram inclusive a rotular negativamente profissionais médicos que, ao final da consulta, não lhes forneciam as tão desejadas &#8220;guias para realização de exames&#8221;.</p>
<p>Fala-se até em <span style="font-style: italic;">check-ups</span> básicos, completos e até personalizados.</p>
<p>Para uns, mais abastados e com disponibilidade de planos de saúde de boas coberturas, a realização dos exames flui de forma simples e provavelmente sanará as duvidas até então instaladas quanto ao atual quadro de saúde desses indivíduos. Porém, para outros, que representam a maior parcela da população e não possuem recursos e acesso a serviços com tecnoligias de ponta, terminam por cobrar do Sistema Único de Saúde uma resposta semelhante a vivida nos serviços privados, posturas totalmente avessas à logica do sistema e a forma como ele é pensado, gerido e executado.</p>
<p>Os prórpios profissionais, por vezes descontentes com a falta de suporte e de capacidade instalada para execução de suas atividades, por vezes boicotam o sistema incluindo a lógica dos <span style="font-style: italic;">check-ups</span> numa rede em que se preconiza a adscrição de clientela, conhecimento do território e atuação <span style="font-style: italic;">in loco</span>, correspondente às necessidades de saúde conforme elas se apresentam. Isso está muito claro e bem formatado nos objetivos do programa de saúde da família, por exemplo. O grande equívoco é a população continuar sem entender como essa rede funciona e manter profissionais que alimentam uma lógica organizacional paralela e concorrente aos princípios do SUS.</p>
<p>Dessa forma, o SUS de qualque lugar não consegue dar conta às demandas. São desferidas solicitações de exames indiscriminadamente, tudo porque &#8220;usuário satisfeito é aquele que sai com sual solicitação de exame nas mãos&#8221;. Para queixas de dores de cabeça, tomografias, dores na coluna, ressonâncias, queixas de dores articulares, raios-x, dores estomacais, endoscopias e quanto mais complexo o procedimento, melhor. Por vezes, medidas sanitárias e de educação em saúde são suficientes e mais direcionadas para resolução de problemas dos indivíduos de várias comunidades, mas&#8230;</p>
<p>É duro ver pessoas carentes terem que se expor e até se humilhar, procurando meios os mais diversos possíveis  para realização de exames e procedimentos que atendem à lógica dos <span style="font-style: italic;">check-ups</span>, mas não levam em conta o social e as prioridades dos indivíduos e de uma população.<br />Por isso que um dos princípios do SUS é a equidade e é realmente necessário tratar de forma desigual os desiguais, direcionando mais atenção e suporte para aqueles que têm mais necessidades.</p>
<p>Tenho a convicção de que fazer <span style="font-style: italic;">check-up</span> é ótimo. A possibilidade de se monitorar ou de descobrir alguma patologia ainda em estágio inicial traz alento e conforto àqueles que têm essa possibilidade. Mas, também tenho a certeza que essa é uma linha de pensamento que vai de encontro às prerrogativas do SUS e não traz possibilidade de acesso a todos.</p>
<p>Sob pena de não ver seus programas sucumbirem diante dessa lógica de mercado, aqueles que fazem o Sistema Único de Saúde precisam oferecer serviços mais qualificados aos seus usuários, necessita que estes acreditem no potencial de suas ações e que invistam nos profissionais, para ao inves de serem concorrentes, serem parceiros dessa proposta. Caso contrário, prevalecerá a lógica do mercado, prevalecerá a lógica dos <span style="font-style: italic;">check-ups</span> nos serviços públicos de saúde e constituirá sempre uma grande barreira a consolidação do SUS.</p>
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