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    The truth is hard!

    humor, saúde, saúde pública 3 Comments

    Sim, a verdade é dura. Após um jogo de hóquei dos jogos olímpicos de inverno desse ano, em que os americanos venceram os canadenses, pode-se dizer que não foram os ianques a sair rindo por último nas comemorações. A imagem fala por si.

    Traduzindo: “Pelo menos nós temos um sistema de saúde”

    Deixo os comentários por conta de vocês

    Fonte

    Publicado por Wagner Alves @ 13:15

    Tags: Canadá, EUA, health care, saúde pública, sistema de saúde

  • 08nov

    As duas faces do SUS

    Atenção Básica, comportamento, emergência, gestão da saúde, saúde, saúde coletiva, saúde pública 2 Comments

    logoFrequentemente descobrimos manchetes, ouvimos reclamações, lemos denúncias sobre o mau funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
    Filas longas para atendimentos, ausência de profissionais capacitados, baixa oferta de exames e procedimentos, manifestações trabalhistas com o objetivo de melhorar as condições dos serviços, etc.
    A mídia sensacionalista se aproveita destas mazelas e faz o maior barulho pelos canais de comunicação com a clara missão de evidenciar os problemas do processo sob o falso manto da “proteção social”.
    Um exemplo recente disto foi durante a pandemia da gripe A [H1N1]. Tivemos desde notícias denunciando a desestrutura dos serviços até insinuações de subnotificação proposital dos casos pelo Ministério da Saúde.
    No entanto, experiências exitosas do SUS não são tão “propagandeadas”. Os resultados positivos do Programa Nacional de Imunização (vacinas), do combate à AIDS, dos Serviços de Triagem Neonatal (Teste do Pezinho), dos bancos de sangue, dos transplantes e do SAMU, por exemplo, têm pouca visibilidade.

    A pergunta que eu faço a vocês é:

    Se o nosso SUS consegue funcionar bem em algumas áreas, por que erra tanto em outras?

    Sabemos que, no Brasil, o direito à saúde é de todos. Mas a maior parte dos pacientes atendidos no sistema público pertence às classes sociais menos favorecidas financeiramente. Daí tem gente que acha que o SUS é para pobres. Idiotice.

    Se você encontrar o Presidente Lula numa praça é capaz de reconhecê-lo. Mas você identificaria prontamente um Juiz do Supremo Tribunal Federal caso o encontrasse? Eu não. Mas sei que ele tem grana.
    Ok. Vamos supor que um iminente Juiz estava de férias na Bahia. Usando bermuda e camiseta, curtia o melhor verão de sua vida em Ilhéus. De repente, por um descuido, foi atropelado. Vendo-o ferido e inconsciente, os transeuntes já sabiam o que fazer: chamaram o SAMU. Rapidamente o Juiz foi levado à Emergência do Hospital Público mais próximo. Atendido, recuperou-se bem e já estava fora de perigo quando foi transferido ao hospital privado que seu plano de saúde particular indicou. Ele não era pobre e utilizou o SUS.

    Suposição dois: Numa cidade bem longe dali, noutro estado, um grande empresário extremamente rico adoeceu (percebam que não é o Juiz!). Visitou os melhores médicos da região, sempre pagando altas quantias em clínicas particulares porque não precisava usar a “medicina dos pobres”. Diagnóstico nosológico: tuberculose pulmonar. Sabem onde ele precisou ser acompanhado para receber os medicamentos? Numa unidade de PSF – SUS. Mas não acabou por aí. Os profissionais da Equipe de Saúde da Família prosseguiram a investigação e descobriram que além de tuberculose ele tinha AIDS. E sabem quem disponibilizou o tratamento contra a AIDS? Isso mesmo. O SUS.

    Dá pra perceber que as pessoas mais abastadas tendem a usar o SUS apenas em situações mais caras (quando seus planos privados caem fora da brincadeira), quando não podem escolher outro tipo de assistência ou quando não há outra fonte para aquele suprimento/serviço. Nas consultas de rotina, elas se orgulham em dizer que pagaram caro nas clínicas particulares ou aos planos de saúde.

    O pobre, não. O brasileiro pobre usa o SUS de A a Z. Usa o que ele tem e fica na falta quando o SUS não tem. O problema é que o pobre, em termos gerais, não exige e não sabe reclamar. Aceita quase tudo como obra de caridade. Falta-lhe o conhecimento dos próprios direitos. Não por ser pobre, em si. Mas porque não teve uma educação formal de qualidade. E é nisso que pesa a diferenciação das coisas.

    Quando um usuário do SUS que tem boa escolaridade procura uma unidade pública, seja qual for o motivo, e percebe que não foi bem atendido ou identifica algo fora dos padrões mínimos de segurança ou higiene, reclama. Reclama e exige. E tem que ser assim. Não estou dizendo que é permitido insultar o recepcionista ou o Auxiliar de Enfermagem com voz em volume alto citando a famigerada frase: “Nada público funciona!”. Não é isso que estou pedindo.
    É preciso procurar o responsável pela unidade assim como se procura o gerente de uma loja quando seu celular vem com defeito. Comunica-se o problema e buscam-se soluções. Se possível, por escrito. Este documento iniciará um efeito cascata: o profissional pressionado na assistência deverá pressionar seu superior hierárquico. Este, por sua vez, ou resolve o caso ou pressiona o gestor. E nesta sequência, alguma coisa acaba mudando: Ou o problema se resolve ou fica evidente a incompetência do setor responsável. Simples assim.

    Em 20 anos de SUS, observamos inúmeros avanços. Observamos também que quanto mais avançamos, mais descobrimos demandas a serem atendidas. Faz parte do jogo.
    E nesse jogo, reivindicar é condição indispensável para a evolução. Se o rico (mais esclarecido) usa o SUS na hora de uma emergência, no tratamento contra AIDS e no transplante de órgãos, é esperado que estas áreas se desenvolvam melhor porque os investimentos dos governantes não seguem a lógica da equidade: A melhoria dos setores é diretamente proporcional ao poder aquisitivo das pessoas que os utilizam.

    Se o rico usasse plenamente a unidade básica, veríamos mais qualidade nela também. Como os ricos não descerão de seus pedestais, qual a estratégia para fortalecer a atenção primária? Municiar os usuários do SUS (principalmente os menos favorecidos) com conhecimentos sobre legislação sanitária, instrumentalizando os Conselhos de Saúde.

    Se a questão é aprender a cobrar, controle social neles!

    Publicado por Alexandro Gesner @ 20:26

    Tags: meios de comunicação, sistema de saúde, SUS

  • 26jan

    Check-up faz mal ao SUS

    Sem categoria Nenhum Comentário

    Meses de dezembro a março: esse é o grande período de concentração de pessoas em consultórios e clínicas de saúde. As pessoas aproveitam o seu tempo livre nas férias para realizar o que chamam de check-up, terminologia americana que fora utilizada nos anos 50 num dos programas espaciais ianque, em que os astronautas tinham de se submeter a uma bateria de exames para evitar complicações durante o lançamento e na sua estadia fora dos confins do nosso planeta.

    Nos anos 80, a idéia dos check-ups ganha força através do lobby realizado pelas empresas da saúde. Vislumbraram na época a grande oportunidade de fazer mercado com a necessidade de saúde da população e passaram a trabalhar então sob duas frentes: no desenvolvimento de tecnologias diagnósticas cada vez mais especializadas e menos agressivas e invasivas, e do outro lado, a difundir a necessidade de realização de exames periodicamente, como estratégia de prevenção e promoção da saúde, sobretudo na classe médica e nos serviços privados de saúde.

    Como aqui no Brasil pouco se cria e muito se copia, e some a isso o encantamento da população às tendências dos grandes centros mundiais, nosso país não poderia ficar de fora dessa onda mercantilista da saúde no cenário mundial. Eis que os nossos compraram e também difundiram a idéia da realização dos check-ups como uma das estratégias mais interessantes para realizar prevenção em saúde, claramente uma visão do modelo médico privatista.

    Os brasileiros, indepente da sua classe social e da acessibilidade que possuem a bens e serviços, passam a frequentar clínicas e unidades de saúde direcionando e até exigindo dos profissionais a bateria de exames que dá corpo aos check-ups. Algumas pessoas passaram inclusive a rotular negativamente profissionais médicos que, ao final da consulta, não lhes forneciam as tão desejadas “guias para realização de exames”.

    Fala-se até em check-ups básicos, completos e até personalizados.

    Para uns, mais abastados e com disponibilidade de planos de saúde de boas coberturas, a realização dos exames flui de forma simples e provavelmente sanará as duvidas até então instaladas quanto ao atual quadro de saúde desses indivíduos. Porém, para outros, que representam a maior parcela da população e não possuem recursos e acesso a serviços com tecnoligias de ponta, terminam por cobrar do Sistema Único de Saúde uma resposta semelhante a vivida nos serviços privados, posturas totalmente avessas à logica do sistema e a forma como ele é pensado, gerido e executado.

    Os prórpios profissionais, por vezes descontentes com a falta de suporte e de capacidade instalada para execução de suas atividades, por vezes boicotam o sistema incluindo a lógica dos check-ups numa rede em que se preconiza a adscrição de clientela, conhecimento do território e atuação in loco, correspondente às necessidades de saúde conforme elas se apresentam. Isso está muito claro e bem formatado nos objetivos do programa de saúde da família, por exemplo. O grande equívoco é a população continuar sem entender como essa rede funciona e manter profissionais que alimentam uma lógica organizacional paralela e concorrente aos princípios do SUS.

    Dessa forma, o SUS de qualque lugar não consegue dar conta às demandas. São desferidas solicitações de exames indiscriminadamente, tudo porque “usuário satisfeito é aquele que sai com sual solicitação de exame nas mãos”. Para queixas de dores de cabeça, tomografias, dores na coluna, ressonâncias, queixas de dores articulares, raios-x, dores estomacais, endoscopias e quanto mais complexo o procedimento, melhor. Por vezes, medidas sanitárias e de educação em saúde são suficientes e mais direcionadas para resolução de problemas dos indivíduos de várias comunidades, mas…

    É duro ver pessoas carentes terem que se expor e até se humilhar, procurando meios os mais diversos possíveis para realização de exames e procedimentos que atendem à lógica dos check-ups, mas não levam em conta o social e as prioridades dos indivíduos e de uma população.
    Por isso que um dos princípios do SUS é a equidade e é realmente necessário tratar de forma desigual os desiguais, direcionando mais atenção e suporte para aqueles que têm mais necessidades.

    Tenho a convicção de que fazer check-up é ótimo. A possibilidade de se monitorar ou de descobrir alguma patologia ainda em estágio inicial traz alento e conforto àqueles que têm essa possibilidade. Mas, também tenho a certeza que essa é uma linha de pensamento que vai de encontro às prerrogativas do SUS e não traz possibilidade de acesso a todos.

    Sob pena de não ver seus programas sucumbirem diante dessa lógica de mercado, aqueles que fazem o Sistema Único de Saúde precisam oferecer serviços mais qualificados aos seus usuários, necessita que estes acreditem no potencial de suas ações e que invistam nos profissionais, para ao inves de serem concorrentes, serem parceiros dessa proposta. Caso contrário, prevalecerá a lógica do mercado, prevalecerá a lógica dos check-ups nos serviços públicos de saúde e constituirá sempre uma grande barreira a consolidação do SUS.

    Publicado por Wagner Alves @ 23:36

    Tags: serviços de saúde, sistema de saúde, SUS

   

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